6 Mar, 2026

Agressividade na adolescência pode acelerar envelhecimento biológico, indica estudo

Os participantes foram seguidos desde os 13 anos até aos 30, tendo os investigadores recolhido ao longo desse período autorrelatos de agressividade, relatos dos pais sobre conflitos familiares e avaliações feitas por colegas sobre comportamentos nas relações sociais.

Agressividade na adolescência pode acelerar envelhecimento biológico, indica estudo

A agressividade no início da adolescência pode estar associada a envelhecimento biológico acelerado e a um índice de massa corporal mais elevado aos 30 anos, segundo um estudo que acompanhou um grupo de jovens durante mais de 15 anos. A investigação foi publicada na revista científica Health Psychology, da American Psychological Association, e conduzida por investigadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.

Os cientistas analisaram as consequências a longo prazo para a saúde de desafios sociais que surgem no início da adolescência, um período considerado crítico para o desenvolvimento emocional e social. De acordo com os investigadores, o envelhecimento biológico acelerado tem sido associado a um maior risco de desenvolver doenças coronárias, diabetes, hipertensão, inflamação e até morte prematura na idade adulta.

O trabalho acompanhou 121 estudantes do ensino secundário — 46 rapazes e 75 raparigas — provenientes de comunidades suburbanas e urbanas do sudeste dos Estados Unidos.

Os participantes foram seguidos desde os 13 anos até aos 30, tendo os investigadores recolhido ao longo desse período autorrelatos de agressividade, relatos dos pais sobre conflitos familiares e avaliações feitas por colegas sobre comportamentos nas relações sociais. Quando os participantes atingiram os 30 anos, os investigadores avaliaram o envelhecimento biológico através de biomarcadores presentes no sangue.

Foram analisados 12 marcadores biológicos, incluindo níveis de glicose e contagem de glóbulos brancos. A partir destes dados foi utilizado um algoritmo científico que combina os vários indicadores para estimar a idade biológica de cada participante. Segundo os autores, esta estimativa revelou-se um melhor preditor do estado de saúde e da mortalidade futura do que a idade cronológica.

Conflitos persistentes explicam impacto na saúde

Os investigadores utilizaram dois métodos científicos validados que combinam indicadores como pressão arterial, inflamação, glicose, colesterol e funcionamento do sistema imunitário para calcular a idade biológica de cada pessoa.

Os resultados mostraram que níveis mais elevados de agressividade no início da adolescência estavam associados a uma idade biológica mais avançada aos 30 anos, mesmo depois de considerados fatores como sexo, rendimento familiar, doenças graves na infância e características físicas na adolescência.

O estudo revelou ainda que os homens e os participantes provenientes de famílias com menores rendimentos apresentavam sinais de envelhecimento biológico mais rápido. Contudo, análises mais detalhadas indicaram que o fator decisivo estava nas dificuldades persistentes nas relações sociais.

Os rapazes, por exemplo, relataram mais conflitos com os pais, enquanto adolescentes de famílias com baixos rendimentos eram mais propensos a demonstrar comportamentos punitivos ou agressivos em relação aos colegas.

Segundo os investigadores, a agressividade precoce por si só não prevê necessariamente um envelhecimento acelerado. O impacto surge sobretudo quando essa agressividade conduz a problemas contínuos de relacionamento ao longo da adolescência e início da vida adulta.

Assim, foram estas dificuldades persistentes nas relações — e não apenas o comportamento agressivo inicial — que acabaram por estar associadas a sinais de envelhecimento biológico mais rápido.

SO/LUSA

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