18 Out, 2018

2222. Ministério da Saúde cria número de emergência para ser usado dentro dos hospitais

Objetivo é acabar com a multiplicidade de números diferentes e garantir maior rapidez na resposta em situações de emergência. Hospitais têm até 31 de março para adotarem o número na rede telefónica interna.

O número tem apenas quatro dígitos e é fácil de memorizar: 2222. Na segunda-feira, o Ministério da Saúde publicou um despacho, assinado, na altura, pelo secretário de Estado Fernando Araújo, em que é criado um número de emergência para ser usado por profissionais de saúde dentro dos hospitais.

O objetivo é acelerar a resposta a situações de emergência. Por exemplo, no caso de uma paragem cardíaca, a resposta rápida aumenta substancialmente as hipóteses de sobrevivência. Muitas vezes, os enfermeiros – que podem trabalhar em mais do que um hospital – não sabem o número da equipa de emergência intra-hospitalar da unidade de saúde em questão. O tempo perdido a tentar pedir ajuda é fundamental para evitar a morte do doente (ou sequelas permanentes).

Apesar de a Direção-Geral da Saúde (DGS) ter publicado já há oito anos normas sobre a organização das equipas de emergência médica intra-hospitalares, não existia até agora um número para que sejam chamadas equipas, deixando esse processo à consideração de cada hospital.

Contudo, nem todos os hospitais têm equipas de emergência interna, que devem ser constituídas por um médico e um enfermeiro com competências na abordagem de doentes críticos e em técnicas de reanimação. “Há mesmo hospitais que ainda nem têm essas equipas, quando devíamos ter pessoal dedicado apenas a esses casos. Boa parte dos hospitais da região sul, pela informação que tenho, nem sequer têm estas equipas”, diz, ao DN, o presidente da Secção Sul da Ordem dos Enfermeiros, Sérgio Branco.

Nos hospitais de menor dimensão é notória a falta destas equipas. Por exemplo, no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, composto por três hospitais (o de Vila Real, Chaves e Lamego) apenas o Hospital de Vila Real tem uma equipa organizada para o efeito. Ao DN, o centro hospitalar informa que Chaves está a ”organizar-se nesse sentido e espera que essas equipas estejam em pleno funcionamento nos próximos meses”.

“De facto, muitas vezes pode passar-se muito tempo até que um doente seja socorrido, e isso deve-se à escassez de recursos humanos, os profissionais não estão nos internamentos, têm de estar noutros serviços, como urgências”, denuncia o presidente da Ordem dos Médicos do Centro, Carlos Cortes. “É óbvio que se um enfermeiro for chamado para uma urgência dentro do hospital primeiro tem de garantir que os doentes que está a acompanhar no serviço em que está colocado ficam em segurança, e isso atrasa a resposta”, corrobora Sérgio Branco.

Os hospitais têm, agora, até 31 de março para colocarem em prática esta medida, ou seja, para para adotarem o número 2222 na rede telefónica interna. O objetivo do governo é, assim, seguir o exemplo do Reino Unido, o único país europeu que tem um número generalizado de emergência intra-hospitalar. Os serviços ficam ainda responsáveis pela elaboração de campanhas de informação interna, “no sentido de divulgar de forma clara e objetiva a alteração introduzida pelo presente despacho, capacitando todos os profissionais de saúde para o novo número da rede telefónica interna”.

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