“Vinte-vinte e dois”: Odisseia nos CSP

"Na atual fase da pandemia, os médicos de família reivindicam aquilo que é a sua essência: o 'direito' de voltarem a ser médicos de família em pleno".

Atualmente, quatro milhões de portugueses não têm acesso a médico de família.

O Governo de António Costa – ainda que se arrogue como grande defensor do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e use a torto e a direito o “chavão” dos cuidados de saúde primários (CSP) como o pilar e a base do SNS – não só não foi capaz de resolver o problema de um milhão de cidadãos sem médico de família atribuído, existente no início desta legislatura, como permitiu que a situação se agravasse muitíssimo.

Num debate eleitoral, a 9 de janeiro, frente ao líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, o primeiro-ministro disse não querer comprometer-se com uma nova data no calendário para dar médico de família a todos os portugueses, autointitulando-se de “gato-escaldado”. Será esta retórica da vulnerabilidade uma força ou uma fraqueza nas urnas? Veremos…

Quanto às respostas, onde podem então os portugueses ir buscá-las? Aos programas eleitorais dos partidos a votos nas legislativas do próximo dia 30 de janeiro? A mim, confesso, parecem-me todas demasiado vagas… Porém, um conselho que vos dou é que não deixem de ler as várias propostas, para bem da nossa democracia. Escusar-me-ia a dizer o óbvio, não fosse a taxa de abstenção em Portugal o monstro que é. Por isso, aqui fica: não deixem de ir votar!

A pandemia de covid-19 veio juntar-se a uma lista de causas já conhecidas na etiologia da “doença crónica” que afeta os CSP, entre as quais se destacam as vagas por ocupar em sucessivos concursos para especialistas de Medicina Geral e Familiar. Tarda uma terapêutica curativa, enquanto as paliativas falham e a sintomatologia se agrava.

Na atual fase da pandemia, os médicos de família reivindicam aquilo que é a sua essência: o “direito” de voltarem a ser médicos de família em pleno, queixando-se de estarem a perder tempo “a telefonarem a infetados com o nariz entupido” ou “a olhar para as paredes nos centros de vacinação”. Isto enquanto doentes crónicos (diabéticos, hipertensos, entre outros) que exigem vigilância e acompanhamento da sua parte, estão a ficar para trás.

Que 2022 seja o ano em que os CSP começam a deixar de ser apenas um chavão nas promessas eleitorais e na boca dos decisores políticos para começarem a ocupar o seu papel num SNS “em convalescença” pós-pandemia.

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