23 Mar, 2021

Variante britânica pode representar 90% dos casos em Portugal dentro de semanas

O investigador do INSA João Paulo Gomes adianta que a prevalência desta variante já estará acima de 70% em território nacional.

A variante do vírus SARS-CoV-2 identificada no Reino Unido deverá representar 90% dos novos casos de covid-19 em Portugal dentro de “algumas semanas”, alertou o investigador João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge (INSA).

Numa intervenção realizada na reunião do Infarmed, em Lisboa, que junta especialistas, membros do Governo, o Presidente da República e o primeiro-ministro para a análise da evolução da pandemia, o especialista notou que a prevalência desta variante britânica já estará acima de 70% em território nacional.

“Em Inglaterra é já próximo dos 100% e o mesmo vai acontecer noutros países numa questão de tempo. Na Dinamarca já passou os 90%, na Irlanda era há três semanas de 90% também. Depois, temos Suíça, Portugal, Áustria e Alemanha com um crescimento acelerado e todos eles acima dos 50-60%, portanto, não é de estranhar se todos estes países estiverem daqui a algumas semanas acima dos 90% de casos de covid-19 provocados pela variante britânica”, explicou.

A análise de João Paulo Gomes estendeu-se ainda à variante associada à África do Sul, revelando que foram já identificados em Portugal 24 casos, um número “modesto quando comparado com os números de países como a Bélgica, Reino Unido, França ou Áustria”, mas em que o investigador reforçou a “importância do controlo de fronteiras nesta altura”, face à sua disseminação no continente africano e com transmissão comunitária em países europeus.

“A situação epidemiológica de Portugal depende fortemente da situação epidemiológica que se for verificando nos outros países”, assinalou o investigador do INSA, reforçando que esta variante está relacionada a “falências vacinais” pelas características da sua mutação.

Finalmente, João Paulo Gomes indicou o registo de 16 casos até ao momento da variante de Manaus (Brasil) em Portugal, um registo que se encontra “na média dos outros países”.

Com um aumento significativo da realização de testes rápidos de antigénio no contexto da testagem nacional, João Paulo Gomes defendeu a importância da repetição com testes moleculares em caso de resultado positivo para assegurar um controlo eficaz das variantes.

“É o que a Dinamarca está a fazer diariamente: retestar os positivos com testes que identificam estas variantes”, referiu o investigador, assegurando que Portugal está com um registo positivo na sequenciação genómica, ao ser o 12.º numa lista de 150 países: “Estamos ainda melhores do que França, Espanha ou Alemanha. Portugal está enquadrado nos países que melhor vigilância fazem”.

LUSA

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