31 Jul, 2020

Vacinas. Vários países já garantiram doses mas Infarmed diz que é “complexo”

Portugal defende compra centralizada a nível europeu e não vai avançar com acordos diretos com empresas que já têm vacinas em desenvolvimento, ao contrário de outros países.

Enquanto várias empresas e centros de investigação um pouco por todo o mundo tentam encontrar uma vacina para o SARS-CoV-2 muitos países já negoceiam com farmacêuticas centenas de milhões de doses, numa jogada de antecipação de modo a garantir o imunização das suas populações o mais cedo possível.

Alemanha, França, Itália, Holanda, Reino Unido ou EUA avançaram já para a negociação direta de forma isolada. Deste modo, não esperaram por uma eventual estratégia concertada da União Europeia nesta matéria. “Temos esta situação de países ricos estarem já a fazer estes acordos bilaterais com empresas e a reservar doses e a fazer pagamentos prévios para o caso de uma destas vacinas experimentais ter sucesso” , diz lain Alsalhani, do programa Access dos Médicos sem Fronteiras, em declarações ao Público.

O Reino Unido anunciou um acordo para 30 milhões de doses de uma potencial vacina da BioNTech e Pfizer, outro com a AstraZeneca para 100 milhões de doses, e outro com a GSK e a Sanofi para 60 milhões.

Itália, juntamente com França, Alemanha e Holanda, assinou um acordo para comprar até 300 milhões de doses da possível vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a AstraZeneca.

Os EUA têm um acordo para 600 milhões de doses com a BioNTech e a Pfizer, com a AstraZeneca para 300 milhões e ainda com a Novavax para 100 milhões.

 

Portugal trabalha com os 26 países da UE

 

Contudo, Portugal defende uma compra centralizada a nível europeu. O presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, admitiu “alguma complexidade” na articulação do processo europeu de aquisição de futuras vacinas para a covid-19, por estas ainda estarem numa fase de desenvolvimento.

Estamos a trabalhar com os restantes 26 países da União Europeia para que possa haver um procedimento conjunto no sentido de disponibilizar as vacinas a todos os cidadãos. É um processo com alguma complexidade, porque temos de coordenar a fase em que estão as vacinas, as quantidades que vão ser produzidas e as condições em que as diferentes empresas vão disponibilizá-las”, afirmou, em declarações prestadas na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia no país.

Segundo Rui Santos Ivo, apesar da urgência internacional no desenvolvimento de uma vacina, esta etapa está “numa fase precoce”, pois somente algumas empresas farmacêuticas estão já a avançar para a fase três e a considerar “a apresentação de pedidos de autorização” junto da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa). Contudo, garantiu que o Infarmed está envolvido no processo e em articulação com a Direção-Geral da Saúde.

“Estamos a conduzir este processo ainda antes de os pedidos terem sido entregues na EMA, portanto, nem sabemos quais são as vacinas que vão ser autorizadas. Este é um processo de antecipação e aceleração das condições para podermos dispor da vacina o mais cedo possível, vamos ter de olhar para estes aspetos e teremos de ter em atenção a decisão que vai ser tomada a nível europeu”, frisou.

Questionado sobre o tempo de chegada de uma vacina ao mercado, o presidente do Infarmed salienta a necessidade de prudência e reconheceu que é preciso “aguardar que o processo avance um pouco mais” ao nível da agência europeia.

“As várias opções estão em cima da mesa: a estratégia das populações-alvo que vamos ter de cobrir, os timings em que as vacinas vão chegar e as quantidades que vão ser disponibilizadas. Poderemos ter de conjugar esses aspetos e, eventualmente, ter mais do que uma vacina. Provavelmente, é isso que vai acontecer”, concluiu.

SO/LUSA

 

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