É uma das consequências do novo coronavírus: a vacinação regular está em queda, o que pode aumentar o risco de surtos de outras doenças, a juntar à pandemia de Covid-19 que já grassa pela Europa. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) deixa o aviso e alerta para o risco de surgir um surto de sarampo a nível europeu.

Portugal registou 7 casos de sarampo entre o início do ano e final de fevereiro, quase tantos quantos os que foram diagnosticados em todo o ano passado, avança o Jornal de Notícias.

Com receio de contraírem a infeção por Covid-19, os país vão adiando a deslocação aos centros de saúde, onde os filhos deveriam ser vacinados. Este comportamento levou a uma diminuição drástica da administração da VASPR (vacina contra o sarampo), que é dada em duas doses: uma aos 12 meses e outra aos 5 anos. Só entre 15 de março e 15 de abril, foram administradas em Portugal menos 13277 doses desta vacina.

“O combate à Covid 19 está a afetar a vacinação das crianças conduzindo ao atraso e à interrupção do cumprimento dos planos de vacinação”, refere o CDC, num relatório publicado a 18 de abril. Há países europeus que já têm centenas de casos registados em 2020. A Roménia conta com 793 casos (até abril, a Bulgária regista outros 233 e França já ultrapassou as 160 infeções (só até fevereiro). Ao todo, a Europa já tem quase 1500 casos mas as consequências da falta de vacinação ainda não refletem nos dados disponibilzados pela maioria dos países, pelo o que se espera que as infeções já estejam numa trajetória galopante.

É maior risco de não tomar a vacina do que o risco de contágio porque os doentes com sintomas respiratórios estão separados dos restantes doentes. Têm circuitos separados” explica, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

Quando a pandemia de Covid-19 amenizar e os centros de saúde retomarem a atividade sem constrangimentos, estará tudo preparado para vacinar em segurança as pessoas que agora não se deslocam ao centro de saúde. “Os serviços estão a listar todas as pessoas com as vacinas em atraso e vão convocá-las, de forma organizada, para não haver aglomeração nas salas de espera”, garante Teresa Fernandes, coordenadora do Plano Nacional de Vacinação.

TC/SO

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