14 Jul, 2025

ULS do Baixo Alentejo tem cerca de 19 mil utentes sem médico de família

A ULS Baixo Alentejo tem cada vez mais utentes sem médico de família, por causa da aposentação de alguns profissionais e da reduzida percentagem de novos médicos que se candidatam às vagas abertas.

ULS do Baixo Alentejo tem cerca de 19 mil utentes sem médico de família

Cerca de 19.000 pessoas estão sem médico de família na região de Beja, registando-se os números mais elevados no município da capital de distrito e nos de Moura e Serpa. O presidente do Conselho de Administração da ULS Baixo Alentejo (ULSBA), José Carlos Queimado, indicou à agência Lusa que a situação de utentes sem médico de família na região “piorou significativamente”. “Tínhamos terminado o ano [de 2024] com cerca de 12.000 [utentes] sem médico de família e, agora, já crescemos cerca de 7 mil. Portanto, neste momento voltámos a ter 19% dos utentes sem médico de família atribuído”, revelou.

Em causa está o aumento do número de profissionais que se reformaram e, consequentemente, a reduzida percentagem de novos médicos a terminar o curso na instituição ou a candidatarem-se às vagas abertas, de acordo com o responsável. O concelho de Beja é o mais crítico, contabilizando, atualmente, 8 mil utentes sem médico de família, seguindo-se Moura e Serpa com 3 mil cada. “Dos 19 mil utentes, 14 mil são logo nestes três concelhos; é uma situação complicada”, assegurou. José Carlos Queimado admitiu ainda que existem alguns profissionais de Medicina Geral e Familiar que estão a regressar à ULS com contratos de médicos aposentados, mas horários reduzidos.

O responsável, ainda assim, disse acreditar que a situação poderá inverter-se devido à abertura da primeira fase do concurso nacional para médicos de família, em que a ULSBA conseguiu três vagas carenciadas. “Isto é muito importante, porque significa que, durante seis anos, o médico recebe cerca de 40% a mais de ordenado”. Destas vagas especiais, duas foram alocadas a Beja e uma a Serpa. “Em março/abril nenhum dos nossos internos terminou, só dois é que terminam em setembro/outubro. Um deles está em Serpa e temos a expectativa de que fique lá”, continuou.

Nessa altura, segundo José Carlos Queimado, os utentes sem médico de família poderão baixar para metade. “Mas temos de esperar até lá. Entretanto, vamos ver se temos alguma sorte e se alguém nos escolhe”, disse, esperançado.

SO/LUSA

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