3 Fev, 2026

ULS de Santa Maria pronta para arrancar com projeto-piloto de rastreio do cancro do pulmão

O rastreio do cancro do pulmão abrangerá exclusivamente utentes da ULS Santa Maria, que poderão ser referenciados pelos cuidados de saúde primários, identificados através dos processos clínicos eletrónicos.

ULS de Santa Maria pronta para arrancar com projeto-piloto de rastreio do cancro do pulmão

A ULS de Santa Maria está preparada para iniciar um dos projetos-piloto de rastreio do cancro do pulmão anunciados pelo Governo, tendo já identificados cerca de 3.500 utentes e capacidade para realizar 30 exames por semana.

Em declarações à agência Lusa, dias antes da cerimónia que assinala o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, na próxima quarta-feira, a diretora do Departamento do Tórax da ULS Santa Maria, Cristina Bárbara, explicou que a unidade reúne todas as condições para avançar com o rastreio, aguardando apenas a autorização para financiamento.

“Estamos prontos para iniciar já este mês”, afirmou a responsável, salientando que, desde 2024, a unidade tem vindo a cumprir todos os critérios exigidos para integrar um projeto-piloto de rastreio do cancro do pulmão, a doença oncológica que mais mata na Europa.

O rastreio será realizado através de Tomografia Axial Computorizada (TAC) de baixa dose, reduzindo a exposição à radiação. A capacidade instalada permitirá realizar cerca de 30 exames semanais, em vários momentos de convocação dos utentes, com a atividade a decorrer fora do horário normal de trabalho.

Cristina Bárbara sublinhou a importância deste tipo de rastreio, referindo que os TAC de baixa dose permitem também identificar “achados” sugestivos de outras patologias, possibilitando o seu acompanhamento e tratamento atempado por médicos especialistas.

A deteção precoce da doença, acrescentou, aumenta significativamente a possibilidade de tratamento cirúrgico e contribui para a redução da mortalidade, não só do cancro do pulmão, mas também de outros tipos de cancro. Ao longo de todo o percurso do programa, será ainda disponibilizada aos utentes a possibilidade de consulta antitabágica.

A especialista alertou para o estigma associado ao tabagismo, defendendo que o objetivo do rastreio não é culpabilizar os fumadores. “Queremos que deixem de fumar e, sobretudo, que tenham a possibilidade de identificar o crescimento de uma neoplasia numa fase em que é passível de tratamento curativo”, afirmou.

O rastreio abrangerá exclusivamente utentes da ULS Santa Maria, que poderão ser referenciados pelos cuidados de saúde primários, identificados através dos processos clínicos eletrónicos — que incluem informação sobre hábitos tabágicos — ou propostos pelos pneumologistas da unidade. Os convites poderão ser feitos por carta.

Segundo dados da literatura internacional, é necessário rastrear entre 100 e 150 pessoas para evitar uma morte por cancro do pulmão, números consideravelmente inferiores aos de outros rastreios oncológicos, como o do cancro do cólon ou da mama. “Isto significa que é altamente rentável”, destacou Cristina Bárbara, acrescentando que a deteção precoce permite reduzir a mortalidade entre 20% e 25%.

A ULS Santa Maria integra o consórcio europeu EUCanScreen, que visa garantir elevados padrões de qualidade nos programas de rastreio do cancro nos Estados-Membros da União Europeia. Além desta unidade, a ULS de Santo António, no Porto, também integra o consórcio, estando igualmente previsto o arranque de um projeto-piloto em Cascais.

Em paralelo, será necessária a criação de uma plataforma nacional de registo de dados para estes novos rastreios oncológicos — pulmão, próstata e estômago —, semelhante às já existentes para outros programas.

De acordo com a norma da Direção-Geral da Saúde, o rastreio do cancro do pulmão destina-se a pessoas entre os 55 e os 74 anos, fumadores e ex-fumadores com histórico de consumo relevante, como um maço de tabaco por dia durante 20 anos.

O cancro do pulmão é o quarto tumor maligno mais comum em Portugal, sendo diagnosticados anualmente cerca de 5.000 novos casos e registadas aproximadamente 4.000 mortes. O tabagismo é o principal fator de risco.

SO/LUSA

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