22 Jul, 2025

Técnicos de Emergência Médica criticam silêncio das ordens sobre ambulâncias para grávidas

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) lamenta o “silêncio absoluto” das ordens dos médicos e dos enfermeiros perante a utilização de ambulâncias para transporte de grávidas na margem sul, sem profissionais com formação clínica adequada.

Técnicos de Emergência Médica criticam silêncio das ordens sobre ambulâncias para grávidas

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) criticou a ausência de reação por parte das ordens dos médicos e dos enfermeiros relativamente ao estado do socorro pré-hospitalar em Portugal, destacando como exemplo a recente utilização de ambulâncias para transporte de grávidas na margem sul do Tejo.

Em comunicado, a associação denuncia bloqueios institucionais por parte destas ordens ao desenvolvimento de um serviço médico de emergência eficaz, alegando que ambas têm reivindicado como atos próprios das suas profissões um conjunto de práticas que, segundo a ANTEM, visam apenas garantir uma resposta eficiente às emergências.

A situação mais recente envolve duas ambulâncias alocadas à Península de Setúbal, destinadas ao transporte de grávidas, cujas equipas não têm formação adequada para assegurar cuidados médicos de emergência. “Causa estranheza o silêncio absoluto das ordens profissionais”, salienta a ANTEM, questionando onde está, neste caso, a habitual defesa dos atos próprios.

“Porque razão não se manifesta a mesma preocupação quando a prestação de cuidados é entregue a profissionais sem formação clínica de base, nem habilitação técnica adequada para a complexidade de muitas situações emergentes?”, questiona a associação.

Para a ANTEM, a construção de um verdadeiro serviço de emergência médica deve assentar em profissionais qualificados, formação contínua, definição clara de competências e uma abordagem centrada no doente — e não na defesa de interesses corporativos. Nesse sentido, considera “ensurdecedor e comprometedor” o silêncio das ordens.

As duas novas ambulâncias foram disponibilizadas na última semana para reforçar a resposta às urgências obstétricas durante o verão na margem sul do Tejo, operando nos períodos em que os serviços de urgência se encontram encerrados de forma rotativa nos hospitais de Almada, Barreiro e Setúbal, segundo a Liga dos Bombeiros Portugueses. Devem manter-se ativas até 30 de setembro.

Entretanto, o Governo anunciou que a urgência de obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, vai funcionar 24 horas por dia a partir de setembro, com reforço de médicos provenientes do setor privado.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu que a Península de Setúbal é “a área mais crítica” na resposta em ginecologia e obstetrícia, admitindo que a estabilização da rede nesta região poderá demorar. Uma das soluções em cima da mesa passa pela criação de urgências regionais, com equipas partilhadas entre hospitais e foco nas especialidades com maior carência de profissionais, como obstetrícia e pediatria.

Contudo, esta medida requer legislação própria e negociações com os sindicatos, previstas para setembro.

LUSA/SO

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