Tal como no ano passado, 700 médicos não têm vaga para fazer a especialidade

Foram abertas 1665 vagas mas há 2365 candidatos. Patologia Clínica, Psiquiatria e Pneumologia são as especialidades mais afetadas. Processo de escolha começa segunda-feira, com a certeza de que vai aumentar ainda mais o número de médicos indiferenciados.

Pelo segundo ano consecutivo, este ano 700 médicos não têm acesso a vaga para fazer a formação especializada. Foram abertas um total de 1665 vagas para o o concurso do internato médico mas são 2365 os médicos candidatos, ou seja, há 700 que vão ficar de fora, repetindo o cenário que se vem verificando há já quatro anos (desde 2015).

A Associação Nacional de Estudante de Medicina (ANEM) critica o facto de o número de vagas ser “bastante inferior ao número de médicos candidatos” o que significa que “o número de médicos que ficarão sem acesso a especialidade será sempre muito superior” ao de 2017. “A ANEM lamenta que se continue a promover em Portugal a formação de médicos indiferenciados e consequentemente o comprometimento da capacidade de proteção dos doentes e a degradação da qualidade e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”, lê-se na nota.

Os jovens médicos que terminam o ano comum em dezembro podem começar a candidatar-se à especialidade e ao hospital que escolherem a partir de segunda-feira, dia 11. Esta fase de escolha estende-se até dia 26 de junho. Embora haja menos 28 candidatos do que no passado, existem menos 93 vagas para formação especializada.

Comparando o mapa divulgado pela Administração Central dos Sistema de Saúde (ACSS) com o de 2017, é visível a quebra no número de vagas em algumas especialidades. Em Pneumologia, as vagas passaram de 37 para 31 – o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, que integra o Santa Maria, perdeu a capacidade formativa nesta especialidade e isso pode ajudar a explicar a diminuição. Maior é a quebra nas vagas de psiquiatria, de 73 para 53. Patologia Clínica perde quase metade das vagas (passa de 45 para 24) e Medicina Geral e Familiar, – que é, de longe a maior especialidade – fica-se este ano com 439 vagas, quando em 2017 tinha 462.

Entre as que ganham vagas, destaca-se Reumatologia, que passa de 15 para 20. Radiologia tem mais dois lugares – são agora 29 – e Pediatria mais três (passou para 96), tal como Cirurgia Cardíaca (que passa para 65).

“É preciso que o Governo, de uma vez por todas, perceba que é preciso reforçar o capital humano para ter capacidade formativa”, afirma Miguel Guimarães, o bastonário da Ordem dos Médicos. Para que um hospital seja formador é exigido, entre outros critérios, um número mínimo de especialistas.

Saúde Online / LUSA

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