6 Nov, 2020

SNS emitiu até setembro 170 mil vales para cirurgia, mais 3% face a 2019

O SNS “procurou sempre alternativas” para responder aos utentes e trabalhar em complementaridade, afirma a ministra da Saúde, Marta Temido.

Marta Temido reagia a críticas do deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira na discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2021 no parlamento, sobre a recuperação da atividade assistencial.

Para Moisés Ferreira, o orçamento para o SNS não serve para o dotar dos recursos que vai necessitar, sublinhando que 2021 será “um ano de enorme pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde”.

“Não só por causa da pandemia que continua a crescer e que não desaparecerá nas próximas semanas certamente, mas também porque é preciso manter a atividade programada e recuperar toda a atividade que foi suspensa”, disse o deputado, considerando que a proposta orçamental apresentada pelo Governo consiga fazer face a “estes enormes desafios”.

Na audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Orçamento e Finanças, Moisés Ferreira questionou ainda se o Governo vai continuar a suspender atividade ou “transferir de forma massificada o orçamento do SNS para o setor privado para ele fazer essa atividade”.

Em resposta, a ministra da Saúde afirmou que o “Serviço Nacional de Saúde procurou sempre alternativas para aqueles que dependem dele e procurou sempre trabalhar em complementaridade”.

“Não esquecemos senhoras e senhores deputados que há uma despesa considerável do Serviço Nacional de Saúde de 26% e que é ainda transferida para outros setores e que é nossa função garantir que o Serviço Nacional de Saúde tenha cada vez mais capacidade de resposta internamente a todas estas áreas e é isso mesmo vamos continuar a perseguir designadamente ao nível dos cuidados de saúde primários”, vincou.

 

Marta Temido admite que SNS em 2021 não irá recuperar níveis de atividade de 2019

 

Admitiu, contudo, que seria “completamente mentiroso, enganador, irrealista dizer que o Serviço Nacional de Saúde no ano de 2021”, ao longo do qual vai provavelmente continuar a conviver durante muitos meses com a pandemia, “iria recuperar os níveis de atividade assistencial de 2019”.

Por isso, vincou, o esforço do SNS continua a ser o da melhoria da sua eficiência que foi o que permitiu ter, em termos de atividade assistencial, no ano de 2020 números em janeiro e fevereiro que estavam em linha com aquilo que eram os meses do ano anterior, que “foi um bom ano em termos de produção ao contrário daquilo que já se aqui indiciou”.

“Em setembro de 2019, o SNS tinha realizado 23,5 milhões de consultas médicas nos centros de saúde, em 2020 tinha realizado 22,9 milhões”, disse, frisando que foram menos 623 mil devido ao impacto na redução da atividade assistencial devido à pandemia e que resultaram daquilo que é a alteração dos tempos de funcionamento de todas as atividades externas.

Relativamente às consultas hospitalares, em setembro de 2019 o SNS tinha feito nove milhões e em igual período de 2020 tinha feito oito milhões. “Ou seja, o tal milhão de consultas de diferencial que estamos a tentar recuperar”.

Quanto às cirurgias, adiantou que em setembro de 2019 tinham sido feitas 517 mil cirurgias, em setembro de 2020, 413 mil.

Perante os deputados a governante disse que de um lado clamam que não se usam recursos suficientes e do outro que são necessárias respostas internas.

“Estou no meio, onde se servem portugueses”, respondeu.

SO/LUSA

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