2 Fev, 2026

Sindicato lamenta escusa de responsabilidade de enfermeiros na Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça

O sindicato recorda que tem alertado há vários anos para a insuficiência de profissionais no Serviço de Urgência, sublinhando que a declaração de escusa de responsabilidade constitui “um grito de alerta” por parte dos enfermeiros.

Sindicato lamenta escusa de responsabilidade de enfermeiros na Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) lamentou que a maioria dos profissionais do Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, tenha apresentado escusa de responsabilidade, considerando a situação um reflexo da falta crónica de enfermeiros naquela unidade de saúde.

Em comunicado, o sindicato recorda que tem alertado há vários anos para a insuficiência de profissionais no Serviço de Urgência, sublinhando que a declaração de escusa de responsabilidade constitui “um grito de alerta” por parte dos enfermeiros.

O Sindepor defende a contratação urgente de profissionais que se encontram em reserva de recrutamento, referindo que, no caso concreto da Urgência, são necessários quatro a cinco enfermeiros por turno, o que corresponde a um total estimado de 20 a 30 profissionais.

O sindicato procurou, contudo, tranquilizar a população, assegurando que a qualidade dos cuidados de enfermagem não está em causa. “A escusa de responsabilidade apenas procura salvaguardar os direitos dos profissionais na ocorrência de algum evento indesejado, motivado pela falta de condições humanas e/ou outras”, refere o comunicado.

De acordo com o Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram), cerca de 70 enfermeiros entregaram declarações de escusa de responsabilidade, o que representa aproximadamente 60% do efetivo total do Serviço de Urgência.

Numa nota enviada às redações, o Sesaram afirmou compreender “o sentimento de desgaste manifestado pelos enfermeiros deste serviço, cuja atuação numa área por natureza desafiante e urgente é de extrema importância”, acrescentando, no entanto, que o Serviço de Urgência “nunca contou com um efetivo tão elevado como no presente”, sendo atualmente composto por 115 enfermeiros.

A autoridade regional adianta ainda que, a par deste reforço estrutural, tem recorrido ao trabalho suplementar do efetivo e ao apoio extraordinário de oito enfermeiros provenientes de outros serviços para reforçar especificamente a Urgência.

A situação motivou críticas por parte do Juntos Pelo Povo (JPP), maior partido da oposição no parlamento regional, onde PSD e CDS-PP mantêm um acordo de maioria. O partido denunciou uma “situação de destrato” por parte do Sesaram e manifestou solidariedade com os enfermeiros.

Citado em comunicado, o deputado Alfredo Gouveia considerou que o caso é “o espelho claro de um Serviço de Saúde sem planeamento, desorganizado, com uma gestão incompetente”, com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados à população e nas condições de trabalho dos profissionais.

“É altura deste Governo PSD/CDS governar e trabalhar, pagar o que deve, tratar com respeito a reconhecida competência e entrega dos profissionais de saúde, abrir concursos para colmatar a falta de enfermeiros e médicos e assumir um compromisso sério com a valorização das carreiras”, defendeu.

Também o Partido Socialista anunciou a entrega, na Assembleia Legislativa da Madeira, de um voto de solidariedade para com os enfermeiros que apresentaram a escusa de responsabilidade. Para os socialistas, a decisão resulta da “inexistência de condições mínimas para garantir cuidados de saúde seguros, de qualidade e em conformidade com a deontologia profissional”.

Os deputados do Chega manifestaram igualmente solidariedade com os profissionais, destacando problemas como a falta de enfermeiros, horários excessivos, desgaste físico e psicológico e desvalorização salarial.

“Esta realidade compromete a dignidade da profissão e coloca em causa a segurança e a qualidade dos cuidados prestados aos madeirenses”, afirmaram.

SO/LUSA

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