8 Jul, 2025

Produtos alimentares com menos sal e açúcar nos últimos cinco anos, aponta DGS

Produtos alimentares vendidos em Portugal reduziram 15% do sal e 21% do açúcar entre 2018 e 2023, revela a DGS. A reformulação foi feita sem exigir mudanças aos consumidores e poderá agora ser alargada a novas categorias, como queijos e charcutaria.

Produtos alimentares com menos sal e açúcar nos últimos cinco anos, aponta DGS

O teor médio de sal e açúcar nos produtos alimentares vendidos em Portugal diminuiu significativamente entre 2018 e 2023, com reduções de cerca de 15% e 21%, respetivamente. Esta evolução ocorreu sem necessidade de os consumidores alterarem os seus hábitos de compra, segundo o mais recente relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), hoje divulgado.

O documento, intitulado Relatório da Reformulação dos Alimentos em Portugal – 2018-2023, estima que estas alterações tenham permitido uma redução no consumo de cerca de 18 toneladas de sal e 7.400 toneladas de açúcar, no seguimento do acordo celebrado entre a DGS, a indústria alimentar e o setor da distribuição para melhorar o perfil nutricional de vários produtos.

Entre os alimentos abrangidos na análise da redução do sal encontram-se as batatas fritas, outros snacks salgados, pizzas e cereais de pequeno-almoço. No que respeita ao açúcar, a avaliação estendeu-se também aos refrigerantes, néctares, iogurtes, leite fermentado e leite aromatizado.

A diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Maria João Gregório, considerou os resultados “bastante positivos”, sublinhando que houve uma redução generalizada dos teores de sal e açúcar em todas as categorias incluídas no acordo.

Globalmente, entre 2018 e 2023, o teor médio de sal nos alimentos analisados desceu 14,8% e o de açúcar 20,8%.

O relatório indica ainda que, de um total de 11 categorias alimentares analisadas, oito superaram as metas previamente definidas no âmbito dos protocolos de reformulação nutricional. No caso do açúcar, quatro categorias — refrigerantes, leite achocolatado, iogurtes, leites fermentados e cereais de pequeno-almoço — ultrapassaram os objetivos. Quanto ao sal, também três grupos — cereais, pizzas, batatas fritas e outros snacks salgados — foram além das metas estipuladas para 2022.

Através de um acordo específico com o setor do retalho, foi igualmente possível reduzir os teores de sal no pão, sopas e refeições pré-embaladas prontas a consumir. A maioria dos pães e refeições atingiu as metas estabelecidas, ficando abaixo de 1 grama de sal por 100g no caso do pão e de 0,9g por 100g nas refeições.

As metas definidas foram baseadas nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam para um consumo diário máximo de 5g de sal por pessoa, bem como para a ingestão de açúcares livres abaixo dos 50g diários na população em geral e dos 25g/dia nas crianças.

Maria João Gregório reforçou que a reformulação dos produtos é uma estratégia de saúde pública eficaz, pois permite reduzir o consumo de sal e açúcar — ainda excessivo em Portugal — sem exigir mudanças de comportamento aos consumidores.

Segundo dados citados no relatório, 24% da população portuguesa consome açúcares livres acima do recomendado pela OMS, percentagem que sobe para quase 50% entre crianças e adolescentes. No caso do sal, cerca de 77% da população ultrapassa os valores aconselhados.

A responsável destacou ainda o potencial transformador desta medida, sublinhando que “alterar o ambiente alimentar” pode ter um impacto abrangente, nomeadamente nos grupos mais vulneráveis, onde se registam maiores taxas de doenças crónicas como a obesidade, a diabetes e a hipertensão arterial, frequentemente associadas a uma alimentação pouco equilibrada.

Quanto à possibilidade de expandir o acordo a novos produtos, Maria João Gregório afirmou que esse debate ainda não foi iniciado, mas admite que os bons resultados alcançados poderão motivar os diversos parceiros a prosseguir este trabalho.

Numa futura fase, poderão ser revistas as metas para categorias já incluídas — como os cereais e os iogurtes — e ser incluídos novos grupos de alimentos, como os queijos e os produtos de charcutaria, dado o seu contributo relevante para o consumo de sal em Portugal.

Este relatório foi desenvolvido pela DGS em colaboração com a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, a Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e a NielsenIQ, sendo estas duas últimas entidades responsáveis pela monitorização independente do processo.

LUSA/SO 

Notícia relacionada

Universidades de Coimbra e Macau lançam laboratório de IA sobre nutrição

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais