Patologia Psiquiátrica Aguda em MGF
Interno de Formação Específica em MGF, Centro de Saúde do Bom Jesus - SESARAM

Patologia Psiquiátrica Aguda em MGF

Os cuidados de saúde primários são, reconhecidamente, a mais importante porta de entrada de um sistema de Saúde para os utentes. Este estatuto implica que os profissionais que lá trabalham tenham a capacidade de reconhecer, diagnosticar e fazer uma orientação adequada das principais patologias.

No que toca à Saúde Mental, existe uma tendência generalizada dos colegas não-Psiquiatras para terem dificuldade na gestão destes utentes. Apesar desta dificuldade não ser estrita aos Médicos de Família, estes estão expostos a um volume superior de patologia psiquiátrica em relação às outras especialidades. O facto de os Médicos de Família se encontrarem a trabalhar em edifícios fisicamente distantes dos Serviços de Psiquiatria aumenta a dificuldade de comunicação com os colegas.

O Internato em Medicina Geral e Familiar conta com um estágio obrigatório em Saúde Mental. Este vem preencher uma lacuna importante no conhecimento clínico dos médicos de MGF em Psiquiatria (disciplina cuja formação pré-graduada ainda é, na maioria das Faculdades, algo pobre). A natureza destes estágios implica que seja na gestão do utente crónico estabilizado, nomeadamente na terapêutica, que os internos mais evoluem.

No entanto, é quando a Patologia Psiquiátrica Aguda se apresenta em consulta de MGF (ou em Serviço de Atendimento Permanente à Periferia) que os maiores desafios se expressam. Saber lidar com a exacerbação de uma psicose, ou uma evidente ideação suicida, ou uma perturbação depressiva que insiste em se agravar é um desafio que eu acredito que a maior parte dos colegas, pelo menos os mais jovens e inexperientes, têm receio.

Estas são situações que, apesar de relativamente comuns, colocam os profissionais sob pressão, exigindo uma solução personalizada e impossibilitados de seguir um protocolo de atuação. Isto tudo em consultas cujo tempo total não está adequado a estas situações.

O objetivo da mesa que a Comissão de Internos da Região Autónoma da Madeira (CIRAM) traz ao 20.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família é apresentar e discutir alguns casos clínicos de patologia psiquiátrica descompensada.

Os intervenientes da apresentação (Drª Jéssica Martins e Dr Tiago Sardinha, ambos Internos de Formação Específica no SESARAM) focar-se-ão em 4 questões fundamentais em cada caso clínico:

“Estarei, de facto, perante uma descompensação de patologia psiquiátrica?”

“Se sim, qual?”

“O que poderei fazer por este utente nesta consulta?”

“Devo referenciá-lo para os Cuidados de Saúde Secundários, seja Serviço de Urgência ou de Psiquiatria?”

Deseja-se que a exposição destes casos se afaste do modelo explanatório e teórico, dando oportunidade de interação com a plateia através do uso do Televoto por diversas vezes. A presença de uma assistente em Psiquiatria do SESARAM (Drª Joana Vieira) nesta mesa trará riqueza científica especializada tanto no comentário a cada um dos casos como na eventual resposta a perguntas específicas da plateia.

Como membro representante da CIRAM, espero que os colegas que possam estar presentes disfrutem da mesa e que o seu conteúdo seja útil, desde o colega mais jovem ao colega mais experiente. Acredito na pertinência deste tema e no papel que tem na prática clínica do Médico de Família, nomeadamente a fazer aquilo que faz com maior mestria: compreender o mundo interno dos seus utentes, juntamente com os seus valores, os seus pensamentos e os seus medos – além da compreensão estritamente biométrica das patologias.

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