Diretor executivo do SNS admite impossibilidade de eliminar listas de espera
Apesar de destacar que o SNS regista atualmente níveis de resposta nas listas de espera “como nunca teve”, Álvaro Almeida sublinhou que as necessidades continuam a crescer rapidamente, impulsionadas pelo aumento do número de utentes e pelo reforço de diagnósticos precoces.

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, admitiu esta quarta-feira que não será possível eliminar as listas de espera no sistema público de saúde, apontando a falta de profissionais e o aumento da procura como principais obstáculos. “Como não há médicos e não há enfermeiros em números suficientes, não conseguiremos aumentar a produção tanto quanto seria necessário para eliminar as listas de espera”, afirmou, numa audição na comissão parlamentar da Saúde. O responsável, ouvido a pedido do Partido Socialista, reconheceu ainda que também não será possível, a curto prazo, garantir médico de família a toda a população.
Apesar de destacar que o SNS regista atualmente níveis de resposta “como nunca teve”, Álvaro Almeida sublinhou que as necessidades continuam a crescer rapidamente, impulsionadas pelo aumento do número de utentes e pelo reforço de diagnósticos precoces. “Provavelmente, precisaríamos de aumentar ainda mais essa capacidade de resposta para acompanhar as necessidades da população”, afirmou.
Durante a audição, a deputada Cristina Esteves alertou para o agravamento das listas de espera, referindo que apenas 48,6% das consultas e 68,6% das cirurgias cumprem os tempos máximos de resposta garantidos. Defendeu que seriam necessários aumentos mais expressivos da atividade — entre 10% e 15% nas consultas e entre 8% e 12% nas cirurgias — para resolver o problema. Em resposta, o diretor executivo considerou esse cenário irrealista, admitindo que “as listas de espera são algo com que vamos ter que viver”, devendo o esforço centrar-se na sua contenção.
Segundo explicou, o quadro global de referência para 2026 prevê a estabilização das listas de espera nas consultas e uma ligeira melhoria nas cirurgias, impulsionada pela implementação do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINAC), inicialmente na área cirúrgica.
Álvaro Almeida reforçou que a principal limitação não resulta de restrições impostas, mas da escassez de recursos humanos, problema que afeta vários sistemas de saúde europeus. O responsável destacou ainda que o SNS continua a contratar todos os médicos especialistas disponíveis e a valorizar as carreiras, numa tentativa de tornar o sistema mais atrativo.
Como exemplo da crescente pressão sobre o sistema, apontou o aumento de cerca de 6% no consumo de medicamentos em 2025, refletindo maiores necessidades de tratamento. “A procura está a aumentar muito, não só porque a população cresce, mas também porque os rastreios permitem identificar mais cedo problemas de saúde”, explicou.
Entre as medidas estruturais em curso para reforçar a capacidade do SNS, destacou o investimento na prevenção e rastreios, a hospitalização domiciliária, o reforço da rede nacional de cuidados continuados integrados e a melhoria da eficiência na utilização dos recursos. Apesar dessas iniciativas, Álvaro Almeida reconheceu que a eliminação das listas de espera não é, para já, um objetivo alcançável.
SO/LUSA
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