O novo paciente pós-emagrecimento: onde entra a estética na era das canetas?
CEO | Clínica Renascer
8 Out, 2026

O novo paciente pós-emagrecimento: onde entra a estética na era das canetas?

As chamadas canetas emagrecedoras mudaram completamente a forma como muitas pessoas conseguem perder peso. Hoje vemos perdas muito significativas em períodos relativamente curtos e isso trouxe uma nova realidade para quem trabalha na área da estética.

Começamos a receber cada vez mais pessoas que emagreceram bastante, mas que chegam preocupadas com aquilo que aconteceu ao corpo durante esse processo. Flacidez, pele menos firme, alterações no contorno corporal, perda de volume no rosto e uma imagem diferente daquela que imaginavam são queixas cada vez mais frequentes.

E aqui há uma questão importante: o problema não está na medicação. Estas terapêuticas têm um papel muito relevante quando bem indicadas e acompanhadas. O problema surge quando todo o processo fica reduzido à ideia de perder quilos. Porque perder peso não é apenas ver a balança descer.

Durante uma perda de peso importante, o corpo muda. Pode existir perda de massa magra, alteração dos volumes e maior evidência de flacidez. Por isso, o acompanhamento médico, nutricional e o exercício são fundamentais. Mas a estética também pode e deve ter o seu lugar, dentro dos seus limites.

Na prática, ainda vejo muitas pessoas a procurar ajuda estética apenas quando o emagrecimento já terminou e a flacidez está instalada. E acredito que devemos começar a olhar para isto de outra forma. A estética pode acompanhar o corpo ao longo da transformação.

Avaliar a qualidade da pele, perceber as zonas com maior tendência para flacidez, acompanhar a evolução do contorno corporal e intervir quando existe indicação pode ajudar a tornar todo o processo mais equilibrado.

Isso não significa aplicar máquinas de forma automática nem criar protocolos iguais para toda a gente. Cada pessoa reage de forma diferente. A idade, a quantidade de peso perdida, a rapidez dessa perda, a qualidade da pele, a massa muscular e o estilo de vida influenciam muito o resultado. Por isso, a avaliação continua a ser essencial.

Tecnologias como radiofrequência, ultrassons e outros tratamentos usados na firmeza e remodelação corporal podem ter um papel complementar em determinados casos. Mas também é importante saber reconhecer quando a estética não é suficiente e quando é necessário encaminhar para outro profissional.

É aqui que, para mim, está o verdadeiro futuro deste acompanhamento: trabalhar em conjunto. O médico acompanha a terapêutica. A nutrição e o exercício ajudam a preservar a saúde e a composição corporal. A estética acompanha aquilo que acontece à pele, aos tecidos e ao contorno corporal. Nenhuma destas áreas deve trabalhar isolada.

Enquanto profissional e CEO na área da estética, acredito que temos também a responsabilidade de informar melhor. Muitas pessoas começam este processo focadas apenas no peso que querem perder e só depois percebem que o corpo também precisa de tempo, cuidado e acompanhamento para se adaptar.

A caneta pode ser uma ferramenta muito importante no emagrecimento. Mas o resultado não devia ser medido apenas pelos quilos perdidos.

Devia ser medido também pela forma como a pessoa chega ao final do processo: mais saudável, mais informada, com expectativas realistas e com um corpo acompanhado ao longo da transformação. É precisamente aí que a estética pode fazer a diferença.

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