“O MeGAS é um mestrado pragmático, hands-on, com um toolkit de instrumentos para aplicação imediata”
Generosa do Nascimento, coordenadora do Mestrado em Gestão Aplicada na Saúde (MeGAS) do Iscte Executive Education, apresenta este programa pioneiro em Portugal que se destaca pela formação prática e aplicacional. Esta formação inclui competências em liderança, análise de dados, gestão financeira e tecnologias emergentes, promovendo uma abordagem centrada no doente e na eficiência organizacional.

Qual é o principal objetivo do Mestrado em Gestão Aplicada na Saúde e o que o distingue de outros programas na área da saúde?
O Mestrado em Gestão Aplicada na Saúde (MeGAS) tem por objetivo geral contribuir para o desenvolvimento da sociedade através da preparação dos estudantes que, tendo por base conhecimentos fundamentais e avançados em gestão, desenvolvam as estratégias e as práticas mais adequadas à promoção da eficácia das organizações de saúde. Envolve organizações de saúde quer no seu desenho quer na sua implementação, dando substância e respondendo à lógica subjacente à sua criação.
Pretende conduzir à obtenção de grau de mestre de carácter aplicacional e estruturar conhecimento de cariz eminentemente prático e aplicacional. Os estudantes obterão o grau de mestre em gestão aplicada na saúde em apenas 1 ano. É um mestrado pragmático, hands-on, com um toolkit de instrumentos para aplicação imediata e um corpo docente de vasta experiência na gestão da saúde.
O ensino aplicacional torna-se, para profissionais, uma forma rápida de estruturar, adquirir e consolidar conhecimento em gestão de serviços de saúde, sendo certo que o sistema de saúde, como um todo, precisa de gestão e de pessoas que, pela prática, saibam aplicar conhecimento às realidades do dia a dia.
O MeGAS, com 60 Ects, é um programa pioneiro em Portugal que visa a requalificação, upskilling e reskilling de profissionais de saúde ou de outros setores que pretendam vir a desenvolver a sua atividade neste domínio, através de uma formação sólida e estruturada.
É um programa vocacionado para gestores de cuidados de saúde, administradores e gestores hospitalares, profissionais de saúde e outros técnicos superiores, atuais ou potenciais, assim como profissionais de outros setores de atividade que pretendam vir desenvolver competências de gestão aplicada na saúde. Uma das principais razões destes candidatos, na frequência deste mestrado, é a motivação para a gestão de unidades de saúde ou outros serviços na área de saúde. Exige uma experiência mínima de 5 anos de atividade profissional relevante.
Como compreende, estes aspetos anteriormente referidos são os fatores diferenciadores relativamente a outros programas na área gestão na saúde.
A experiência acumulada ao longo de 23 anos, no Iscte e Iscte Executive Education, nos diferentes programas de gestão de serviços de saúde no Iscte e no Iscte Executive Education (Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde, Executive Master em Gestão de Serviços de Saúde e Pós-graduação em Gestão para Profissionais de Saúde) permite a consolidação e diferenciação deste Mestrado.
Envolver o ISCTE Executive Education como parceiro estratégico na criação do pool de organizações de saúde capazes de gerar problemas desafiadores para a gestão de serviços de saúde. Para tal é essencial desenvolver o ciclo de estudos com consulta aos empregadores e é necessário manter e alimentar o ciclo de estudos em conjunto com empregadores (trabalhos de projetos/field labs).
Que competências específicas os estudantes podem esperar adquirir ao longo do curso, e de que forma ficarão preparados para os desafios da Gestão em Saúde?
Estamos perante um crescendo de impactos inimagináveis nos serviços de saúde e nos profissionais de saúde, com consequências graves nos doentes e a dificuldade de cumprimento dos compromissos assistenciais para a obtenção de ganhos em saúde da população. As maiores disfunções emergem na liderança, na gestão de pessoas, na gestão das operações e da logística, na gestão da qualidade, na análise de dados, na gestão da comunicação, na gestão financeira, no controlo de gestão e nos sistemas de informação.
Abranger as várias dimensões da gestão de serviços de saúde e cobrir os conhecimentos fundamentais para estruturar uma carreira de gestão no setor da saúde, está na génese da estrutura curricular do Mestrado em Gestão Aplicada na Saúde. Terão um conjunto de unidades curriculares de tronco comum e de outras opcionais. Adicionalmente, os estudantes desenvolverão um trabalho de projeto orientado à resolução prática de problemas em diversas áreas das organizações de saúde.
Assim, no final deste Mestrado, os estudantes deverão:
- Demonstrar conhecimento dos sistemas de saúde e do contexto no qual estes serviços são prestados;
- Desenvolver uma visão e uma estratégia, e tomar a iniciativa de projetar as organizações de serviços de saúde no futuro;
- Aplicar, de forma integrada, conhecimento financeiro, económico, logístico, humano, sistemas de informação, ciência de dados e outros, para otimizar o desempenho organizacional;
- Desenvolver formas práticas de encontrar a raiz do problema e soluções transversais;
- Expor conclusões em relatórios práticos e aplicacionais, via escrita e via oral;
- Demonstrar profissionalismo e sensibilidade às características profissionais e ao contexto institucional dos serviços de saúde;
- Colocar o doente no centro da atividade organizacional, considerando a complexidade inerente à sua condição, nomeadamente a experiência, a segurança e a eficácia clínica;
- Adquirir e praticar os princípios do desenvolvimento pessoal contínuo, reflexivo e autodirigido.
No Iscte Executive Education realizam-se ainda um conjunto de iniciativas que visam promover o desenvolvimento das power skills (soft skills, digital skills e thinking skills), a partilha e o networking, tais como o Welcome Day, Workshops e Conferências, assim como a Graduation e o Jantar Executive Education.
Acreditamos que contribuímos para o desenvolvimento destas competências e a prova reside nos Alumni dos nossos programas de gestão de serviços de saúde que têm vindo a demonstrar a mais-valia nas organizações onde trabalham, públicas como privadas ou do setor social, ao longo destes 23 anos de experiência.
O que motivou a escolha de especialistas para integrar o corpo docente?
Os docentes do MeGAS são reconhecidos pela vasta experiência na gestão de serviços de saúde, na lecionação em cursos dos vários ciclos e pelo seu percurso académico e científico. Também se procurou integrar no corpo docente personalidades com relevante experiência adquirida quer na área de administração e gestão de serviços de saúde, quer de assessoria e consultadoria. Ao longo do mestrado serão também convidados a participar profissionais de reconhecido mérito como especialistas das suas áreas. Este é um corpo docente misto, com valências profissionais e com valências académicas e produção científica na área.
Deste modo, o corpo docente reúne as condições necessárias para que este mestrado se revele um sucesso.
De que forma as parcerias com hospitais e outras instituições de saúde enriquecem o programa e a experiência dos estudantes?
Como anteriormente referido, é fundamental o envolvimento de organizações de saúde quer no desenho do MeGAS quer na sua implementação, dando substância e respondendo à lógica subjacente à sua criação. Foram efetuados 19 protocolos com organizações do setor da saúde, públicas, privadas e do setor social.
Assim, esta colaboração foi essencial para desenvolver o ciclo de estudos com consulta aos empregadores e é necessária para manter e alimentar o Programa. Proporcionará gerar o conjunto de problemas desafiadores para a gestão de serviços de saúde em conjunto com empregadores, e os estudantes poderem desenvolver os trabalhos de projetos/field labs).
Que papel têm módulos como Inteligência Artificial na Saúde e Big Data no contexto de uma gestão moderna e focada no doente?
Este programa enfatiza nas estratégias de gestão, os desafios decorrentes das mudanças baseadas nas tecnologias, o que se consubstancia nas UC de Inovação em Tecnologias da Saúde, Inteligência Artificial na Saúde e Big Data e Analytics.
Os módulos de Inteligência Artificial na Saúde e Big Data visam capacitar os estudantes para uma gestão efetiva e centrada no paciente, permitindo personalizar cuidados, melhorar a eficiência operacional e antecipar riscos. Com o recurso a estas tecnologias, os estudantes ficarão capacitados para potenciar uma experiência positiva ao paciente, otimizar recursos e tomar decisões informadas e preventivas, alinhadas às necessidades do sistema de saúde atual.
A Inteligência Artificial (IA) e o Big Data permitem analisar grandes volumes de dados para identificar padrões em tempo real, proporcionando um cuidado mais personalizado e proativo, isto é, a personalização do Cuidado ao Paciente, melhorando a qualidade dos cuidados e os resultados clínicos. Por outro lado, estas tecnologias suportam decisões mais informadas e rápidas, assegurando a eficiência operacional e a tomada de decisão baseada em dados. Também a prevenção e gestão de riscos são asseguradas através da análise de dados em larga escala e garantida a melhoria na experiência do paciente.
Como o programa promove uma visão humanizada da Gestão em Saúde?
O MeGAS promove uma visão humanizada da gestão ao enfatizar práticas centradas na saúde e bem-estar dos pacientes e dos profissionais. Desenvolve competências nos estudantes para liderarem com empatia e responsabilidade social, e a tomarem decisões que equilibram a eficiência com o respeito pelos valores humanos, criando ambientes mais saudáveis e produtivos.
A abordagem interdisciplinar do curso também reforça a compreensão das necessidades humanas, preparando os profissionais para decisões éticas e transparentes que valorizam a saúde mental e o autocuidado no ambiente de trabalho, isto é, o desenvolvimento de competências que permitem uma Liderança Transformacional. Com uma visão humanizada, o programa aborda o impacto do trabalho na saúde mental dos profissionais, promovendo práticas que incentivam o autocuidado, a gestão do stress e de conflitos. A tomada de decisões justas e transparentes, fortalece a confiança dos pacientes e da comunidade no sistema de saúde.
O mestrado prepara profissionais para gerirem o setor de saúde com uma perspetiva que vai além dos números, promovendo um equilíbrio entre eficiência operacional e um cuidado genuíno com o ser humano.
Quais os requisitos para candidatura ao mestrado?
Podem ingressar apenas candidatos com a experiência profissional mínima de 5 anos, preferencialmente profissionais executivos, administradores hospitalares, quadros e dirigentes com ou sem formação em gestão que pretendam estruturar conhecimento e aplicá-lo em organizações do setor da saúde.
Deverão ser ainda titulares do grau de licenciado ou equivalente legal ou titulares de um grau académico superior estrangeiro que seja reconhecido como satisfazendo os objetivos do grau de licenciado pelo órgão científico estatutariamente competente do Iscte.
Os candidatos serão avaliados através de uma entrevista e por análise curricular.
O que é os estudantes podem esperar em termos de carga horária e integração prática durante o curso?
Através do posicionamento pós-laboral, este mestrado permite aos participantes manter uma vida profissionalmente ativa, facilita a promoção de aprendizagem ao longo da vida e a realização do trabalho de projeto, que se desenvolve por aplicação para resolução de um problema num serviço de saúde, e será totalmente dedicado à dimensão aplicacional, e de consolidação e alavancagem de conhecimentos no domínio prático.
As aulas decorrem, em formato presencial, no Iscte Executive Education, às terças e quintas-feiras, das 18h30 às 22h30, durante 6 meses. Os restantes 6 meses serão dedicados ao projeto aplicado.
Este programa de estudos vem permitir uma base alargada de desenvolvimento do mercado de trabalho que possa capacitar os estudantes, em gestão de serviços de saúde, durante o desenvolvimento as suas carreiras. Adicionalmente, um 2.º ciclo não tem de ser voltado à investigação, mas, antes, à possibilidade de aplicar e de saber encontrar e resolver problemas. Ainda permite uma ligação às organizações de saúde através da sua participada Iscte Executive Education e do próprio Iscte.
Espera-se que o MeGAS tenha êxito e a prova é que já iniciou a 1.ª edição no passado dia 5 de novembro com uma turma com estudantes extraordinários!
Sílvia Malheiro
Notícia relacionada
Politécnico da Guarda terá mestrado em Biotecnologia Medicinal e Farmacêutica












