30 Jul, 2025

Novo sistema de triagem quer reduzir listas de espera e dar mais informação ao utente

O novo Sistema Nacional de Acesso a Cuidados de Saúde (SINACC) vai ser testado em setembro com o objetivo de reduzir listas de espera e garantir que os doentes são atendidos mais rapidamente. O modelo aposta numa triagem clínica obrigatória, digitalização total dos pedidos e maior transparência para os utentes, que poderão acompanhar o seu processo através da app ou portal SNS 24.

Novo sistema de triagem quer reduzir listas de espera e dar mais informação ao utente

O novo sistema de gestão de acesso aos cuidados de saúde, SINACC, vai começar a ser testado em setembro com o objetivo de reduzir as listas de espera e melhorar a resposta às necessidades dos doentes, anunciou esta segunda-feira a coordenadora do projeto.

“A intenção é que, com uma gestão mais eficaz, se consiga que os doentes tenham acesso aos cuidados de saúde em tempo útil”, explicou Joana Mourão, médica da ULS São João, no Porto, e responsável pelo desenvolvimento do novo modelo.

O SINACC vai substituir o atual SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia) e traz mudanças estruturais, como o fim da triagem administrativa. A partir de agora, todos os casos serão avaliados clinicamente entre dois a cinco dias úteis após a referenciação, com base no grau de urgência.

Haverá dois níveis de prioridade: normal e prioritário. A triagem terá em conta fatores como ser doente oncológico ou a gravidade clínica, permitindo definir prazos de resposta mais ajustados.

Todo o processo será feito eletronicamente. Seja proveniente do médico de família ou de um hospital, o pedido passará a circular obrigatoriamente através da plataforma digital, pondo fim aos chamados “pedidos à porta” em papel.

Os profissionais terão acesso a alertas automáticos que indicam quais os doentes que devem ser vistos com mais urgência, e os dados serão apresentados de forma gráfica para facilitar o agendamento.

Para os utentes, o novo sistema traz também maior transparência: será possível acompanhar o processo através da app SNS 24, do portal do doente ou de uma nova linha telefónica criada para esse efeito.

Joana Mourão sublinhou ainda que, em casos específicos, algumas patologias poderão ser avaliadas por diferentes especialidades, se isso permitir resposta mais rápida. “Uma insuficiência cardíaca, por exemplo, pode ser vista por Medicina Interna se Cardiologia não tiver vagas, sem prejuízo para o doente”, afirmou.

Segundo a responsável, o SINACC poderá ser adaptado à realidade de cada instituição e pretende garantir mais rapidez, equidade e segurança clínica.

Os primeiros testes arrancam em setembro no IPO de Lisboa, na ULS de Coimbra e na ULS Alto do Ave. Se tudo correr como previsto, o sistema será alargado a todo o país já em novembro.

LUSA/SO

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