Não há uma única unidade pediátrica de queimados em Portugal

Bastonário dos Médicos defende abertura de duas destas unidades, uma na região Centro e outra no Norte. Presidente da Associação Amigos dos Queimados garante que a Unidade de Queimados do Hospital Estefânia, em Lisboa, fechou em 2005 e ainda não reabriu.

Assinalou-se este domingo, 17 de junho, um ano desde o incêndio de Pedrógão Grande, que tirou a vida a 66 pessoas. Dezenas de pessoas sofreram queimaduras no corpo, que ainda obrigam muitos a continuarem com os tratamentos para melhorar o aspeto físico e até para aliviar as dores. Contudo, as crianças que, naquele dia, foram apanhadas pelo incêndio não têm à sua disposição nenhuma unidade de queimados pediátricos em Portugal onde possam recuperar.

Trata-se de uma “pecha terrível” e “penalizante”, diz o presidente da Associação Amigos dos Queimados. Celso Cruzeiro lembra que a luta por uma unidade deste tipo é já antiga. “Está sempre a ser prometida. Fecharam a unidade infantil da Estefânia em 2005 porque iriam fazer uma nova. Nem temos a velha, nem temos a nova. E as nossas crianças são tratadas em condições que não são as ideais”, sustentou, à margem do XI Congresso Nacional de Queimados, que decorreu em Pedrógão Pequeno, Sertã.

Também o Bastonário da Ordem dos Médicos defende a necessidade de abrir pelo menos duas unidades pediátricas de queimados. “Sobre a questão da unidade de cuidados pediátricos [para queimados], evidentemente que nós precisamos de ter uma no Centro, que penso que já estará praticamente a funcionar ou quase, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, e é preciso existir uma unidade pediátrica no Norte do país”, afirmou Miguel Guimarães, ascrecentando que, na sequência de toda a tragédia do incêndio do verão passado em Pedrógão Grande, passou-se a dar mais importância aos queimados.

“Não há dúvida que isso é uma peça essencial e é um défice grande, entre outros que temos como, por exemplo, ao nível do socorro da emergência medica e que temos que começar a tomar as rédeas como disse o Presidente da República para mudarmos a forma como nós, sociedade civil, intervimos no bem comum e não estarmos só dependentes das ações das instituições que nos representam como o Governo. Este é um aspeto fundamental”, disse o bastonário.

Miguel Guimarães considerou ainda essencial que, de uma vez por todas, os queimados, sobretudo os médios e grandes, sejam considerados como pessoas com doença crónica. “Não são doenças que acabam na altura que a pessoa tem uma alta hospitalar. São pessoas [queimados médios e grandes] que vão ter problemas para o resto da vida. O apoio que temos que dar a este tipo de doentes tem que ser o apoio que é dado a outros doentes crónicos como os diabéticos e por aí adiante”, sustentou.

Saúde Online / LUSA

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