“Na saúde, a Inteligência Artificial não pode ser usada cegamente”, alerta Ricardo Baptista Leite
O uso da Inteligência Artificial na saúde exige prudência, ética e pensamento crítico, sobretudo em áreas como o diagnóstico e a decisão clínica. O alerta foi deixado por Ricardo Baptista Leite numa conferência do Iscte Executive Education dedicada à IA em Saúde.

“Na saúde, a Inteligência Artificial não pode ser usada cegamente, sobretudo quando falamos de diagnóstico e decisão clínica”, alertou Ricardo Baptista Leite, CEO da Health AI – Agência Global para a Inteligência Artificial Responsável, durante uma conferência realizada no Iscte Executive Education, em Lisboa.
Segundo Ricardo Baptista Leite, o verdadeiro desafio não reside apenas na inovação tecnológica, mas na forma como esta é aplicada num contexto em que a tecnologia evolui a um ritmo mais rápido do que a capacidade dos sistemas para a integrar. A conferência, intitulada “IA em Saúde: Fundamentos, essenciais e aspetos estratégicos”, reuniu especialistas e cerca de uma centena de participantes do setor da Saúde, promovendo uma reflexão sobre o impacto da Inteligência Artificial, com foco numa adoção crítica, ética e centrada nas pessoas.
O responsável destacou ainda que existe uma consciência crescente, entre os profissionais de saúde, dos riscos associados a uma utilização acrítica destas ferramentas, defendendo uma mudança no perfil de competências exigidas. “As competências que antes estavam muito associadas à memorização estão a dar lugar à análise crítica, que é vital para navegar no mundo atual da inteligência artificial”, afirmou, sublinhando o papel ativo dos profissionais “no desenho da aplicação da inteligência artificial e no redesenho do próprio sistema de saúde”.
Também orador na conferência, Arlindo Oliveira, professor distinto do Instituto Superior Técnico e presidente do INESC, salientou que o ritmo acelerado da evolução tecnológica apanhou o próprio meio científico de surpresa. “Há oito ou dez anos, ninguém imaginava que os modelos de linguagem permitissem sistemas capazes de discutir temas complexos ou apoiar diagnósticos médicos”, referiu, acrescentando que a tecnologia já não é o principal fator limitativo.
“O grande desafio é integrá-la adequadamente nos processos, o que num hospital pode demorar anos”, afirmou Arlindo Oliveira. A discussão estendeu-se ainda ao impacto da IA na formação de médicos, engenheiros e outros profissionais, defendendo a necessidade de equilíbrio entre novas competências e os conhecimentos estruturais. O investigador alertou também para as questões de responsabilidade, transparência e ética associadas ao treino dos sistemas de IA com base em dados e exemplos.
Moderada por José Crespo de Carvalho, a conferência integrou-se na aposta estratégica do Iscte Executive Education na área da Gestão e Inovação em Saúde, reforçando o posicionamento da instituição como espaço de reflexão crítica e de capacitação de líderes para decisões responsáveis num setor em profunda transformação tecnológica.
SO/COMUNICADO
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