17 Dez, 2018

Ministra da Saúde quer tornar obrigatória vinculação ao SNS de médicos em início de carreira

Marta Temido disse, este domingo, que está a ser equacionada a hipótese de os médicos recém-especialistas "ficarem vinculados, durante um período que nunca poderá ser muito longo" ao SNS. Sindicatos contestam medida.

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu, em entrevista ao Diário de Notícias, que está a ser equacionada a possibilidade de, “após a sua formação, as pessoas [médicos] ficarem vinculadas durante um período, que nunca poderá ser muito longo, e depois, haver a opção pela dedicação exclusiva, voluntária” ao SNS.

Questionada acerca das melhores formas de reter os profissionais ao Serviço Nacional de Saúde – tarefa muitas vezes dificultada pelas melhores condições de trabalho oferecidas pelo setor privado -, Marta Temido disse que, em muitas profissões vigora já um mecanismo de “pacto de permanência” em que se “que se começa por lugares menos apetecíveis, para os quais estamos preparados numa determinada fase da nossa vida, e que depois aspiramos a melhorar”.

Ou seja, a ideia é reter os jovens médicos, de forma obrigatória, ao SNS durante um período e dar-lhes, mais tarde, a possibilidade de se transferirem para o setor privado, se estes assim o entenderem. Esta seria uma forma de capitalizar, a favor do estado, o investimento feito na formação dos clínicos – a última estimativa feita em Portugal, há mais de 10 anos, aponta para um custo de 90 mil euros por 6 anos de formação.

“Nunca se dirá que o SNS precisa de todos os profissionais que forma e de todos em exclusividade”, diz Marta Temido, que no entanto, lamenta: “Investimos na formação de um médico durante seis, sete anos e no dia a seguir não o retemos”.

Do lado sindical, a proposta não foi bem recebida. “Medidas coercivas de colocar médicos onde fazem falta parecem difíceis de entender, mas aguardamos a proposta”, disse Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos. O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, diz que “obrigar a ficar no SNS por mais ou menos tempo não é boa opção”.

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