20 Jan, 2026

Ministra afasta ligação entre mortes e atuação do INEM

A ministra da Saúde afirmou não existir, para já, qualquer relação entre três mortes ocorridas após chamadas para o INEM e a prestação de socorro, sublinhando que os casos estão a ser investigados por várias entidades e que só os relatórios permitirão apurar eventuais falhas.

Ministra afasta ligação entre mortes e atuação do INEM

A ministra da Saúde afirmou que, neste momento, não existe uma relação entre as três mortes ocorridas após pedidos de socorro ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a prestação de assistência.

“Até termos um relatório que aponte se houve ou não falhas associadas a três desfechos fatais – que não podemos deixar de lamentar – não há, neste momento, uma relação entre estes infelizes desfechos fatais e o socorro”, afirmou Ana Paula Martins, durante uma intervenção no Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

A governante recordou que os três casos estão a ser investigados, estando todos a ser analisados pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e pelo INEM, sendo que um deles está também sob investigação do Ministério Público.

No início do mês, pelo menos três pessoas morreram depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro, sem que os meios tivessem chegado a tempo.

O INEM, que abriu uma auditoria a um dos casos, rejeitou responsabilidades, apontando como causas a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais.

Hoje, a ministra lembrou que “houve dias em que o INEM chegou a atingir os 5.500 pedidos de socorro” e registou um tempo médio de resposta de “20 a 30 segundos”, a par de “uma taxa de acionamento muitíssimo elevada”.

“É importante que se conheçam rapidamente os resultados”, sublinhou.

“Estou todos os dias a aguardar pelo que é preciso aguardar, mas não estou sentada a aguardar. Estamos a trabalhar para que as coisas sejam cada vez melhores”, afirmou ainda.

Questionada sobre se já não seria tempo de existirem resultados visíveis, Ana Paula Martins garantiu que eles existem.

“E há resultados. Compreendo que seja muito mais fácil propalar notícias menos boas. Percebo perfeitamente que tenham de ser divulgadas. Mas as que são boas ninguém as propala”, observou.

A 8 de janeiro, a propósito dos três casos, o primeiro-ministro referiu que está em curso “uma reforma profunda do INEM”, com o objetivo de garantir “uma resposta mais rápida do serviço de emergência médica”.

Segundo o chefe do Governo, está já a ser implementada a modernização tecnológica dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a alteração do sistema de triagem, estando prevista para 2026 a continuação da reforma estrutural da saúde, de forma a assegurar uma resposta “rápida, eficaz e humana” em todo o território.

A comissão de trabalhadores do INEM recusou, a 07 de janeiro, ser o “bode expiatório de falhas do SNS”, atribuindo a indisponibilidade de meios de socorro à retenção de macas das ambulâncias nas urgências hospitalares, como no caso do Seixal.

No Seixal, no distrito de Setúbal, um homem morreu depois de ter esperado três horas por meios de socorro que, de acordo com a prioridade atribuída, deveriam ter chegado no prazo máximo de uma hora.

LUSA/SO

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