MedSTART. Futuros médicos estão preocupados com situação atual do SNS
“O Futuro da Medicina em Portugal – desafios e oportunidades” foi um dos temas debatidos no MedSTART – Congresso Nacional do Interno de Formação Geral, que decorreu entre 5 e 7 de setembro, no Hospital da Luz Lisboa.

Preocupação face ao futuro da Medicina é o que sente Ana Francisca Ramos, coordenadora geral do MedSTART. Em entrevista ao SaúdeOnline fala sobre o que mais angustia os jovens que se preparam para escolher uma especialidade. “Nos últimos anos, tem-se assistido a um abandono muito grande do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com colegas que preferem emigrar ou ficar sem especialidade. Esta situação afeta as nossas escolhas e a nossa formação”, realça.
Uma das razões para essa ‘fuga’ é facto de se abrirem, todos os anos, mais vagas para Medicina “sem se ter em atenção as condições formativas”. Por outro lado, acrescenta, “o número de recém-mestrados é superior às vagas existentes para as mais diversas especialidades”.
Face a esta realidade, Ana Francisca Ramos lembra que os futuros médicos acabam por emigrar ou por serem indiferenciados, já que são muitas vezes obrigados a escolher uma especialidade que não foi sequer a segunda ou terceira opção. “Se se desiste no primeiro ou no segundo ano, fica-se impedido de fazer o exame de acesso ainda durante algum tempo, ou seja, ficamos com a nossa formação em suspenso durante 2 a 3 anos.”
Acresce a esta dificuldade, as “falhas graves” do SNS, mesmo durante o Internato da especialidade, na medida que a saída de vários seniores aumenta o risco de os serviços perderem idoneidade formativa. “Sem equipas fortes para ensinar, a próxima geração de médicos vai ter de enfrentar as falhas que teve na sua formação.”
No evento, que contou também com uma componente social, foram abordadas outras temáticas que, segundo a coordenadora, estão na ordem do dia. É o caso da literacia em saúde, uma aposta que vê como essencial para que o paciente possa ter um papel no tratamento e na prevenção. “Envolver o doente é muito importante. Obviamente, temos de nos guiar por guidelines, mas todas as pessoas são diferentes e se estiverem envolvidas na gestão da doença, será mais fácil para todos.”
Questões mais ligadas à burocracia e à lei do mundo do trabalho também estiveram em cima da mesa nos três dias do evento, assim como as opções existentes, ao nível da carreira, para quem não quiser ser médico a tempo inteiro ou para quem decida seguir outros rumos, como investigação, docência, entre outros.
MJG
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