25 Jul, 2025

Médicos do Amadora-Sintra podem deixar urgência, alerta Ordem

A Ordem dos Médicos esteve reunida com a ULS Amadora-Sintra e alerta que os médicos discordam das novas regras de trabalho, a serem implementadas desde que entrou em funcionamento o Hospital de Sintra. Em última instância podem deixar de fazer urgência.

Médicos do Amadora-Sintra podem deixar urgência, alerta Ordem

A Ordem dos Médicos (OM) alertou, hoje, que a equipa da urgência geral do Hospital Amadora-Sintra está “muito sobrecarregada” e deve ser tratada com “muita cautela”, sob pena dos especialistas deixarem de trabalhar na unidade.

Uma delegação da OM reuniu-se, hoje, com a administração da ULS Amadora-Sintra para se inteirar da situação dos serviços de urgência geral, após a entrada em funcionamento da urgência básica do novo Hospital de Sintra e de uma carta assinada por 19 médicos.

No final do encontro, Luís Campos Pinheiro, tesoureiro do Conselho Regional do Sul da OM, disse que há “um problema de comunicação” entre os profissionais e a administração. “Este alerta não pode ser ignorado e foi isso que transmitimos ao Conselho de Administração. Tem que falar com os médicos, tem que ouvir os médicos e, sobretudo, ser aconselhado pelos médicos”, defendeu.

Segundo Luís Campos Pinheiro, o diálogo foi tentado mas, do que foi apurado de ambas as partes, “não está a ser conseguido”, estando a OM disponível para ajudar de “uma forma construtiva”. Referiu, ainda, que há tentativas do Conselho de Administração de resolver este problema com uma estratégia, que “não está a chegar aos médicos”.

A ideia é retirar os doentes não urgentes do Hospital Amadora-Sintra para o novo Hospital de Sintra, e, sobretudo, os doentes internados em Serviço de Observação (SO), “um grupo muito grande e muito pesado”. É também intenção da ULS fazer um Centro de Responsabilidade Integrada de Urgência, que deverá estar pronto em outubro.

Luís Campos Pinheiro contou que os médicos com quem falou “foram unânimes” a dizer que gostam de trabalhar na urgência, onde se sentem realizados e permanecem “por esse sentimento de realização e de ajuda aos doentes”. Por outro lado, há quem esteja muito preocupado com as novas regras.

“Estão a acontecer, subitamente, sem aviso prévio, como mudança de horários, do local de trabalho e isso a Ordem não concorda e não aceita”, vincou.

Segundo a ULS, a colaboração da OM será fundamental para, em conjunto, encontrar as melhores soluções. Em comunicado, lamenta “profundamente que se procurem transformar” questões técnicas e assistenciais “em tentativas de criação de alarme social”, quando “o que está verdadeiramente em causa é a melhoria dos cuidados prestados aos utentes”.

SO/LUSA

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