Médicos dentistas chegam apenas a metade dos agrupamentos de centros de saúde

Objetivo da tutela é ter, no final de 2019, pelo menos um dentista em dentista em cada agrupamento. Lisboa e Norte concentram a grande maioria dos gabinetes de saúde oral.

Está a avançar de forma lenta uma das promessas feitas no início da legislatura pelo governo: dotar os centros de saúde de consultas de medicina dentária. No final de 2017, apenas 55 centros de saúde disponibilizavam este tipo de consulta (menos de 10% do total de unidades de cuidados de saúde primários), sendo que este serviço se estendia a 24 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), menos de metade do total.

A colocação de dentistas nos centros de saúde arrancou no terceiro trimestre de 2016 com experiências-piloto em 13 centros de saúde do Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. O objetivo do Ministério da Saúde é chegar ao final de 2019 com uma cobertura total de consultas de medicina dentária, o que significa dotar todos os ACES de, pelo menos, um médico dentista. Em Março, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo explicou que serão colocados este ano “mais de metade dos [dentistas] que faltam” e os restantes vão começar a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) no primeiro semestre de 2019.

O último balanço, feito no final do ano passado, mostra que havia 60 gabinetes de saúde oral em 55 centros de saúde. A grande maioria dos gabinetes localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo e no Norte (48 dos 60). A região Centro tinha seis e o Alentejo e o Algarve três cada um. Nesta fase inicial, os dentistas – que contam com o apoio de um assistente dentário – efetuam apenas tratamentos simples, como destartarizações, desvitalizações ou extração de dentes.

Paulo Melo, presidente do conselho geral da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), explicou ao Público que, para além do investimento feito pela tutela, existem autarquias que assumem os custos das obras de requalificação de espaços e de compra de equipamentos, sendo que a própria OMD também dá algum apoio.

A introdução destas consultas nos cuidados de saúde primários é um passo fundamental para estender estes cuidados às franjas mais desfavorecidas da população, que, sem recursos financeiros para contratar um seguro de saúde ou ir a uma clínica privada, acabam por descurar a saúde oral. No entanto, Paula Melo avisa que ainda há um caminho longo a percorrer, lembrando que é preciso o aval da tutela para criar a carreira de médico dentista no SNS, de modo a alargar o acesso à medicina dentária aos hospitais.

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