19 Mar, 2026

Medicina Geral e Familiar debate os limites das guidelines e o papel dos municípios na saúde

A VIII edição das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar (MGF) foi inaugurada esta manhã, no Centro de Congressos do Sheraton, com um apelo direto à humanização dos cuidados e à integração de serviços entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as autarquias.

Medicina Geral e Familiar debate os limites das guidelines e o papel dos municípios na saúde

Manuel Viana, copresidente das jornadas e especialista em Medicina Geral e Familiar, lançou um alerta sobre a aplicação rígida de evidências científicas em grupos vulneráveis. O responsável argumentou que muitos doentes, como os idosos frágeis, são frequentemente sub-representados em ensaios clínicos, o que pode tornar as normas clínicas convencionais (guidelines) “irrelevantes, inúteis ou até deletérias”.

O clínico defendeu que a medicina deve ser entendida como uma “arte” que exige a partilha de experiências entre gerações e especialidades, combatendo uma “medicina compartimentada em que as várias especialidades mal comunicam entre si”. O objetivo das jornadas é, precisamente, promover esta gestão integrada através da análise de casos reais do dia a dia.

Gabriela Queirós, vereadora da Câmara Municipal do Porto com o pelouro da Saúde, destacou que a promoção da saúde ultrapassou os limites estritos do setor médico para se tornar um “compromisso coletivo”. Segundo a autarca, as novas competências assumidas pelo município desde janeiro de 2024 permitem uma atuação mais próxima dos determinantes sociais. “A descentralização não é apenas uma transferência de tarefas, mas uma mudança de paradigma”, afirmou Gabriela Queirós. A vereadora sublinhou que os municípios funcionam agora como “agentes promotores da saúde” de primeira linha, garantindo que o aumento da esperança média de vida seja acompanhado por qualidade de vida através de uma visão holística.

Pela Direção Executiva do SNS, Ana Correia Oliveira realçou a importância do evento para a formação pós-graduada de médicos internos e especialistas. A também médica de família destacou que a Medicina Geral e Familiar deve assentar num equilíbrio entre a “evidência científica ímpar” e a “envolvência com o doente”, considerando a pessoa como um todo e não apenas um conjunto de sintomas.

A sessão de abertura encerrou com um reconhecimento ao trabalho da comissão organizadora e dos mestres da especialidade que, segundo os oradores, têm garantido a sustentabilidade e a excelência dos cuidados de saúde primários no Norte do país.

Maria João Garcia

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