15 Jul, 2025

Mais de 14 milhões de crianças ficaram por vacinar em 2024

Apesar da estabilização na cobertura global da vacinação, mais de 14 milhões de crianças continuaram sem receber sequer uma dose de vacina em 2024, alertam a OMS e a Unicef, que apontam cortes orçamentais e desinformação como principais obstáculos.

Mais de 14 milhões de crianças ficaram por vacinar em 2024

Mais de 14 milhões de crianças em todo o mundo ficaram por vacinar em 2024, apesar de a cobertura global ter permanecido estável, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

De acordo com as agências da ONU, cerca de 115 milhões de crianças receberam pelo menos uma dose da vacina contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP), mais 171 mil do que no ano anterior, e 109 milhões completaram as três doses recomendadas.

Apesar do ligeiro progresso, a OMS alertou para o facto de haver 14,3 milhões de crianças que não receberam qualquer dose de vacina — número acima da meta prevista para 2024 e superior ao registado em 2019, antes da pandemia. No total, são quase 20 milhões as crianças que ficaram com a vacinação incompleta.

“É encorajador ver o aumento do número de crianças vacinadas, mas há ainda muito trabalho a fazer”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhando que cortes nos orçamentos da saúde e a desinformação sobre vacinas ameaçam travar décadas de progresso.

O relatório, que analisa dados de 195 países, mostra que 131 deles conseguiram vacinar pelo menos 90% das crianças com a primeira dose da DTP, mas que 47 países estagnaram ou recuaram, incluindo 22 que tinham ultrapassado essa meta em 2019.

A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, alertou que “milhões de crianças continuam desprotegidas contra doenças evitáveis”, pedindo ação urgente para ultrapassar restrições no acesso a cuidados de saúde, desinformação e falta de investimento público.

Também a diretora-geral da Gavi, Sania Nishtar, destacou que os países mais pobres conseguiram vacinar mais crianças do que nunca, mas advertiu que o crescimento populacional, a instabilidade política e os conflitos colocam em risco os avanços conseguidos.

“É fundamental que os governos e os parceiros mantenham o compromisso de garantir o acesso equitativo às vacinas e proteger as comunidades das doenças infecciosas”, concluiu.

LUSA/SO

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