26 Dez, 2018

MAC ofereceu 500 euros por hora mas nem assim houve anestesistas interessados

Urgência da Maternidade Alfredo da Costa esteve encerrada nos dias 24 e 25 por falta de anestesistas. Situação é inédita. Ministra aproveitou situação para voltar a defender profissionais em regime de exclusividade no SNS.

Nunca tinha acontecido. A Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, viu-se obrigada a encerrar o serviço de urgência nos dias 24 e 25 de dezembro devido à falta de anestesistas. A incapacidade de ter dois anestesistas escalados levou a instituição a tomar uma medida inédita de modo a garantir a segurança dos cuidados prestados.

Nem os 500 euros à hora oferecidos pelo conselho de administração foram suficientes para convencer algum especialista, tendo ficado a MAC com apenas um anestesista de serviço (que ficou responsável pelas 17 grávidas que já se encontravam internadas).

A ministra da Saúde reconhece a carência de anestesistas, que é, aliás, um problema a nível nacional e que se tem vindo a agravar. Marta Temido explicou que a MAC não tem anestesistas no quadro e afirmou que esta situação demonstra a necessidade de se ter um Serviço Nacional de Saúde com profissionais em dedicação exclusiva.

“[A anestesia] é, de facto, uma área onde o Serviço Nacional de Saúde tem sofrido uma perda de profissionais que optam por trabalhar noutros setores. É importante que nós percebamos como é que conseguimos captar, reter, voluntariamente, estes profissionais e é um trabalho que vamos continuar a desenvolver”, concluiu.

“Há escassez de recursos humanos, nomeadamente, muito sentidos ao nível da anestesia. Obviamente não é uma situação desejável, nunca tinha acontecido desta forma, mas o que é facto é que, felizmente, no Serviço Nacional de Saúde funcionamos em rede e as grávidas podem estar tranquilas que será assegurado o atendimento e o internamento noutros hospitais”, garantia Clara Soares, a diretora do serviço de urgência, à RTP.

“Não podemos manter a atividade assistencial normal numa época em que apenas existe um anestesista”, afirmou Clara Soares. De acordo com a responsável, a situação não se repetirá na passagem de ano: “No final do ano temos as escalas completamente asseguradas, portanto, é uma situação que ocorre dia 24 e dia 25”.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) diz que esta situação vem reforçar a necessidade de melhorar as condições de trabalho e atratividade para os médicos no SNS e critica: “O Conselho Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central persiste na sua atitude pouco amigável para com os trabalhadores médicos, de que é exemplo o não pagamento do trabalho prestado entre as 07:00 e 08:00 como trabalho noturno, relutância no cumprimento dos descansos compensatórios, relutância no pagamento de trabalho extraordinário, implementação de bancos de horas ilegais, falta de reconhecimento do esforço dos profissionais e a conivência com atitudes prepotentes de alguns diretores de serviço”.

Em comunicado, o SIM aponta também o dedo à ministra da Saúde “quanto à disponibilidade para remunerar prestadores de serviços médicos com um valor por hora mais de 20 vezes superior aos valores da maioria dos médicos do quadro, ao mesmo tempo que adia a revisão da tabela remuneratória dos médicos do quadro do SNS”.

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