Loures anuncia investimento superior a 23 ME em quatro novos centros de saúde
O anúncio do investimento nos cuidados de saúde primários, em Loures, surge após notícias de que, na USF Parque, alguns profissionais pediram escusa de responsabilidade por trabalharem em consultórios que atingem temperaturas de 35 graus.

A Câmara de Loures está a investir mais de 23 milhões de euros na construção de quatro novos centros de saúde para melhorar a rede de cuidados primários de saúde (CSP) do concelho.
Segundo o município, o novo centro de saúde do Catujal entrou já em funcionamento, o de Tojal deverá abrir no final do mês e os de Camarate e Bobadela estão “em fase de obra”. “Este esforço reflete um compromisso claro com o reforço da resposta pública em saúde, indo muito além das competências formais assumidas”, justifica a autarquia, em comunicado.
Em outubro de 2023, a câmara municipal assumiu competências na área da saúde, nomeadamente no que respeita à conservação do edificado. “O estado dos edifícios transferidos para o município era, na sua maioria, de acentuada degradação”, ressalva.
Desde essa altura, já foram investidos cerca de meio milhão de euros “em pequenas manutenções que aguardavam há vários anos” e que eram anteriores à transferência de competências. Por resolver tá a reparação dos sistemas de climatização do Centro de Saúde de Loures e de ventilação do de Santo António dos Cavaleiros, avariados desde 2004 e 2015, respetivamente.
O município aceitou a transferência de competências na área da Saúde mediante um “acordo complementar”, no qual o Governo se comprometeu a assumir os custos de reabilitação dos edifícios. “Este compromisso, assumido pelo anterior executivo nacional, ficou em suspenso com a transição governativa”, recorda a autarquia.
Em 2025, a câmara municipal recebeu autorização do Governo para avançar com as intervenções de reabilitação, que se iniciam em agosto, nas unidades de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Sacavém. Trata-se de um investimento adicional de 1,5 milhões de euros, com o objetivo de “garantir condições dignas para utentes e profissionais”.
O município tem dado a conhecer os planos de obras em reuniões regulares com a direção da ULS de Loures Odivelas. O executivo “reafirma que está do lado da solução, empenhado em garantir melhor acesso à saúde para os utentes e melhores condições de trabalho para os profissionais”. Mas reconhece que “nenhuma obra resolve por si só a carência estrutural de profissionais de saúde”.
Recorde-se que 10 médicos, 9 enfermeiros e 4 assistentes técnicos da USF Parque Cidade (Loures) apresentaram, na semana passada, pedidos de escusa de responsabilidade por falta de condições de trabalho, com a temperatura em alguns gabinetes a atingir os 35 graus, segundo a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
Em comunicado, a FNAM avançou que já exigiu explicações ao Conselho de Administração da ULS de Loures e Odivelas e, caso a situação não seja resolvida com urgência, ameaça avançar com queixas formais à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e à Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
A federação sublinhou que o edifício não tem condições ambientais seguras, colocando em risco utentes e profissionais, e as elevadas temperaturas sentidas no interior dos gabinetes têm sido combatidas com recurso a ventoinhas. Esta medida é desaconselhada em determinadas circunstâncias por causa das normas de prevenção de infeções.
SO/LUSA
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