8 Jan, 2026

Lista de espera nos cuidados continuados de saúde mental volta a aumentar em 2024

O número de utentes à espera de vaga na Rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental subiu em 2024, atingindo 68 pessoas no final do ano. Dados da Entidade Reguladora da Saúde revelam constrangimentos persistentes no acesso, assimetrias regionais e menor cobertura em algumas tipologias.

Lista de espera nos cuidados continuados de saúde mental volta a aumentar em 2024

O número de utentes a aguardar vaga na Rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental aumentou para 68 no final de 2024, segundo a monitorização da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados hoje divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

De acordo com o regulador, o maior número de utentes em lista de espera concentrava-se nas Residências de Apoio Máximo (RAMa), destinadas a pessoas com doença mental grave clinicamente estabilizadas, mas com dificuldades de autonomia, e nas Residências de Apoio Moderado (RAMo), orientadas para o desenvolvimento de competências psicossociais e melhoria da qualidade de vida.

Apesar de estas tipologias continuarem a concentrar a maioria das situações em espera, a ERS assinala que, em 2024, diminuiu o número de utentes à espera de vaga nas RAMa. Ainda assim, o número de lugares contratados nesta tipologia para adultos registou uma ligeira redução face a 2023, prolongando uma tendência já observada no ano anterior.

Relativamente à cobertura populacional, a ERS indica que 70,5% da população residente em Portugal continental vivia a 60 minutos ou menos de uma RAMa, a tipologia com maior acesso potencial. Em contraste, apenas 39,8% da população tinha cobertura por uma Residência de Treino de Autonomia (RTA), a tipologia com menor cobertura.

As RTA destinam-se à reabilitação psicossocial de pessoas com doença mental, preparando a reintegração na comunidade através do desenvolvimento de competências para a vida diária, apoio psicossocial e terapêutico e supervisão de atividades como a gestão da medicação e tarefas domésticas, simulando condições de vida autónoma.

Os dados mostram ainda que a cobertura populacional variava entre 22% nas Unidades Sócio-Ocupacionais (USO) e 41,8% nas RAMa, considerando a população residente a 30 minutos ou menos de um ponto da rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental.

Em termos de tempos de internamento, a ERS aponta para uma redução da demora média em cinco das oito tipologias analisadas, com destaque para as RAMa e RAMo, sendo esta última a única a situar-se dentro do período máximo recomendado de 12 meses.

Em sentido inverso, as Residências Autónomas de Saúde Mental e as respostas em ambulatório registaram aumentos significativos dos tempos médios, sobretudo nas Unidades Sócio-Ocupacionais de Infância e Adolescência, onde a demora mais do que duplicou face a 2023.

Quanto à oferta contratada, o número de respostas de cuidados continuados integrados de saúde mental para adultos desceu para 475 em 2024, menos três do que no ano anterior. A ERS volta ainda a sublinhar a distribuição geográfica desigual da rede, com oferta residual no interior do país e nas regiões do Alentejo e do Algarve.

Nas tipologias destinadas à infância e adolescência, manteve-se a estabilidade no número de respostas contratadas, fixadas em 37. O regulador garante que continuará a acompanhar esta área, reconhecendo a sua importância no contexto do Serviço Nacional de Saúde e os constrangimentos que persistem no acesso a estes cuidados.

LUSA/SO

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