11 Set, 2025

Investigador prevê estetoscópio digital nas mãos do doente e médico como educador

O especialista em inteligência artificial na saúde Guilherme Hummel defende que, no futuro, o estetoscópio será digital e passará das mãos do médico para as do doente, simbolizando uma maior autonomia do paciente e um novo papel para o médico: o de educador.

Investigador prevê estetoscópio digital nas mãos do doente e médico como educador

O investigador brasileiro Guilherme Hummel, especialista em inteligência artificial (IA) aplicada à saúde, considera que a evolução tecnológica vai transformar a prática médica e a relação entre médico e doente. Em entrevista à Lusa, o especialista sublinha que o maior sinal dessa mudança será o estetoscópio – símbolo tradicional da profissão médica – tornar-se digital e passar para as mãos do paciente.

“Mais do que um curador, o médico do futuro vai ser educador”, afirmou, destacando que a IA dará ao doente mais autonomia e melhor acesso aos cuidados de saúde, enquanto o médico assumirá um papel central na educação em saúde.

Guilherme Hummel defende também que a telemedicina, que ganhou força durante a pandemia de covid-19, deve recuperar a relevância de então, ajudando a aliviar urgências sobrecarregadas com casos não urgentes. “Na primeira triagem, o médico mede sinais vitais, o que é possível hoje à distância com dispositivos digitais”, exemplificou.

Para o investigador, a literacia em saúde será fundamental: “A médio e longo prazo não terá nexo uma criança de sete anos não saber nada sobre o seu corpo, mas conhecer os afluentes dos rios”. Considera mesmo que, no futuro, os cidadãos poderão ter de participar em programas de saúde para aceder ao sistema, dentro de um “novo mutualismo” que responda ao envelhecimento demográfico e à pressão sobre os serviços de saúde.

Embora reconheça o risco de elitismo no acesso aos cuidados, Guilherme Hummel sublinha que a sociedade terá de escolher os riscos que quer assumir, recordando mudanças já normalizadas, como a proibição do tabaco em espaços públicos.

Quanto à formação médica, acredita que será mais curta e orientada para o digital, com maior valorização da ética e bioética do que da acumulação de conhecimento técnico, cada vez mais disponível fora da academia.

Apesar da transformação em curso, Guilherme Hummel admite que continuará a existir espaço para a ligação pessoal entre médico e paciente: “Se houver paciente que ainda prefere ser atendido pelo seu médico de família, isso continuará a acontecer – só custará mais caro, como acontece com quem ainda prefere ouvir vinil”.

O especialista vai apresentar estas ideias a 18 de setembro, numa conferência sobre inteligência artificial na saúde, em Lisboa, no auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal.

LUSA/SO

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