Insuficiência cardíaca “não tem de ser uma sentença”

Estima-se que morram cerca de 30 pessoas todos os dias em Portugal por morte súbita cardíaca. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia destaca que meio milhão de portugueses vive com insuficiência cardíaca.

No Dia Mundial do Coração, que se assinalou dia 29 de setembro de 2019, os dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia mostram que a insuficiência cardíaca é a principal causa de internamento hospitalar em pessoas acima dos 65 anos, sendo que apenas metade das pessoas sobrevive cinco anos após o diagnóstico.

A insuficiência cardíaca tem tendência para aumentar, sobretudo devido ao envelhecimento da população, mas atualmente já é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama ou do cólon, segundou destacou à agência Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Vítor Gil.

Apesar de nos últimos anos se ter registado um aumento dos doentes que sobrevivem a outras complicações cardiovasculares como o enfarte do miocárdio, também este fator contribui para o aumento da insuficiência cardíaca.

Um estudo divulgado este ano pelo Centro de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa confirma esta tendência, divulgando números alarmantes: as mortes por insuficiência cardíaca aumentem 73% em 2036, crescendo também os impactos da doença em 28% comparativamente a dados de 2014.

Em 2016, Portugal registou perto de 12 mil episódios de internamento de enfarte agudo do miocárdio, enquanto o número total de internamentos por doenças do aparelho circulatório ultrapassou os 110 mil. Os peritos estimam ainda que morram por dia 30 pessoas devido a morte súbita cardíaca.

Contudo, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia vinca que a insuficiência cardíaca não tem de ser uma sentença, podendo antes ser encarada como uma “oportunidade de esperança e de futuro”.

“Este ano elegemos como lema o “Coração de Esperança”. Sendo a situação de doença cardíaca reconhecida e identificada, pelos médicos de família por exemplo, temos, os especialistas, as ferramentas terapêuticas e os dispositivos necessários que podem melhorar a qualidade e prolongar a vida das pessoas”, frisa Vítor Gil.

O cardiologista avisa, no entanto, que as pessoas devem estar atentas a cansaço extremo ou exagerado, a faltas de ar ou desmaios, que podem significar doenças cardiovasculares.

“Não devem esperar que passe, devem procurar ajuda médica”, indicou.

EQ/Lusa

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