27 Jan, 2020

Ingestão diária de iogurte pode diminuir risco de cancro da mama

No estudo, os investigadores sugerem que esta bactéria fermentadora da lactose no seio é protetora.

Uma das causas do carcinoma da mama pode ser a inflamação provocada por bactérias nocivas, dizem os investigadores, num estudo publicado na revista Medical Hypotheses.

Os cientistas dizem que a sua ideia – ainda não comprovada – é apoiada pelas evidências disponíveis, que mostram que a inflamação induzida por bactérias está ligada ao cancro.

No artigo, a equipa de investigadores, composta por Auday Marwaha, doutorando de Medicina da Universidade de Lancaster, pelo Professor Jim Morris dos Hospitais Universitário Morecambe Bay (no noroeste da Inglaterra) e pela Dra. Rachael Rigby, da Faculdade de Saúde e Medicina da Universidade de Lancaster afirma  que “há um remédio preventivo simples e barato, que é o de as mulheres consumirem iogurte natural diariamente.”

O iogurte contém bactérias benéficas originadas pela fermentação láctea, comumente encontradas no leite, semelhantes às bactérias – ou microflora – encontradas nos seios das mães que amamentaram. “Sabemos agora que o leite materno não é estéril e que a lactação altera a microflora do peito”, apontou o Dra. Rigby.

“As bactérias fermentadoras da lactose são comumente encontradas no leite e são suscetíveis de ocupar os ductos mamários das mulheres durante a lactação e por um período desconhecido após a lactação”.

No seu estudo, os investigadores sugerem que esta bactéria fermentadora da lactose no seio é protetora, porque cada ano de amamentação reduz em 4,3% o risco de cancro da mama.

Vários outros estudos demonstraram que o consumo de iogurte está associado a uma redução do risco de cancro da mama, o que os investigadores sugerem que pode ser devido a um switch de bactérias nocivas por bactérias benéficas.

Existem aproximadamente 10 bilhões de células bacterianas no corpo humano e, embora a maioria seja inofensiva, algumas bactérias criam toxinas que desencadeiam inflamações no organismo.

A inflamação crónica destrói os germes nocivos, mas também danifica o organismo. Uma das condições inflamatórias mais comuns é a doença gengival ou periodontite que já foi associada ao cancro oral, esofágico, do cólon, pancreático, prostático e da mama.

“As células estaminais que se dividem para repor o revestimento dos ductos mamários são influenciadas pela microflora, e certos componentes da microflora têm sido identificados noutros órgãos, como o cólon e o estômago, como fatores de risco aumentado para o desenvolvimento de cancro”, destacam os investigadores. “Portanto, é provável que um cenário semelhante esteja a ocorrer na mama, onde a microflora residente tem impacto na divisão das células estaminais e influencia o risco de cancro”.

MMM/SO

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