5 Set, 2025

INEM falhou resposta especializada a quase 21 mil casos críticos em 2024

Quase 21 mil vítimas triadas como prioridade máxima não receberam em 2024 o socorro diferenciado do INEM, revela o relatório anual da instituição. O documento aponta carência de recursos humanos — com menos 709 trabalhadores do que o previsto — e um aumento do défice financeiro.

INEM falhou resposta especializada a quase 21 mil casos críticos em 2024

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) não conseguiu assegurar o nível de socorro mais diferenciado a 20.961 vítimas em risco de vida em 2024, apesar de estas terem sido classificadas como prioridade 1 (P1). A informação consta do relatório anual de atividades da instituição, citado pelo jornal Público.

Segundo o documento, no ano passado foram registadas 148.251 ocorrências P1, consideradas graves e a exigir suporte imediato ou avançado de vida. Estas situações deveriam ser acompanhadas por meios diferenciados como ambulâncias de suporte imediato de vida (SIV), viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) ou helicópteros.

Contudo, apenas 127.290 acionamentos corresponderam a este tipo de resposta: 36.885 através de SIV, 89.408 com VMER e 997 por via aérea. Assim, quase 21 mil doentes receberam apoio de ambulâncias de emergência médica ou meios dos bombeiros, tripulados por técnicos com formação menos especializada.

O relatório explica que, em alguns casos, a evolução clínica dos pacientes ou a proximidade de unidades hospitalares justificaram a utilização de recursos menos diferenciados. Ainda assim, a discrepância entre ocorrências prioritárias e acionamentos especializados tem vindo a agravar-se: em 2022 foram cerca de 17.500 doentes sem resposta condizente, em 2023 perto de 19 mil e em 2024 quase 21 mil.

As falhas são atribuídas sobretudo à falta de recursos humanos. O INEM conta atualmente com 1.304 trabalhadores, menos 709 do que os 2.013 lugares previstos. A escassez é mais evidente nos técnicos de emergência pré-hospitalar, com 501 vagas por preencher, mas também na área médica, onde apenas 23 dos 49 postos estão ocupados.

O relatório aponta ainda para um agravamento financeiro: a despesa aumentou e, pela primeira vez desde 2020, o instituto registou prejuízo. As receitas não acompanharam os gastos acrescidos com bombeiros e pessoal, situação que já tinha levado o presidente do INEM a defender o aumento da taxa aplicada aos beneficiários de seguros, como forma de garantir a sustentabilidade da instituição.

LUSA/SO

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