Hospital de Vila Franca de Xira gasta mais de 6 milhões de euros por ano em camas para internamentos sociais
O Hospital de Vila Franca de Xira tem atualmente mais de 80 camas contratualizadas para doentes com alta clínica que permanecem internados por motivos sociais, num investimento superior a seis milhões de euros por ano, revelou o presidente do conselho de administração.

O Hospital de Vila Franca de Xira tem mais de 80 camas contratualizadas para doentes que já tiveram alta clínica, mas que continuam em internamentos por razões sociais, representando um investimento superior a seis milhões de euros por ano, revelou o presidente do conselho de administração, Nuno Cardoso.
Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita da ministra da Saúde à unidade hospitalar, o responsável explicou que estes doentes permanecem internados fora do hospital por não ter sido encontrada solução nem em lares de idosos nem na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).
“A Unidade Local de Saúde tem contratualizadas 88 camas na comunidade para doentes que constituem casos sociais ou que aguardam colocação na rede de cuidados continuados. É quase outro hospital”, afirmou Nuno Cardoso, acrescentando que esta situação implica uma despesa anual de cerca de 6,3 milhões de euros.
O presidente do conselho de administração sublinhou a necessidade de toda a rede de cuidados continuados funcionar em pleno e de forma solidária, salientando que as camas hospitalares devem ser utilizadas para situações agudas. “Uma cama no hospital é para doentes com a situação aguda. Todas as camas ocupadas por doentes já com alta clínica, o pior sítio onde podem estar é neste espaço”, afirmou.
No final da visita, a ministra da Saúde reconheceu a falta de meios no Hospital de Vila Franca de Xira, bem como a necessidade de reforçar a literacia da população, sobretudo no que diz respeito à interpretação dos tempos de espera nas urgências.
Ana Paula Martins explicou que os tempos de espera relevantes para o doente são os que decorrem entre a chegada ao serviço e a triagem, e entre a triagem e a primeira observação médica. Depois disso, considerou normal que o doente permaneça várias horas a realizar exames e análises e a aguardar resultados, sublinhando que esse tempo reflete também a complexidade clínica dos casos.
Questionada sobre a tolerância de ponto no dia 26 de dezembro, a ministra reconheceu que, na área da Saúde, não é possível que todos os profissionais gozem o dia, garantindo, no entanto, que também terão direito a essa tolerância.
“A tolerância de ponto, no caso da saúde, teve de ser tratada de uma maneira diferente, através de despacho próprio, não só por causa da urgência, mas sobretudo por causa dos internamentos”, explicou, salientando que, sendo o dia 26 uma sexta-feira, é fundamental evitar que doentes com possibilidade de alta clínica fiquem retidos no hospital.
Ana Paula Martins adiantou ainda que muitos dos profissionais que estarão a trabalhar nesse dia irão gozar a tolerância posteriormente, quando for possível assegurar a resposta assistencial. “Não podemos fechar os serviços e não estar aqui para receber aqueles que precisam de nós”, afirmou, referindo-se não apenas à urgência e ao internamento, mas também às cirurgias e consultas programadas.
Devido ao aumento dos casos de gripe, a ministra admitiu que as próximas semanas serão exigentes para os hospitais, sublinhando que vários já ativaram os respetivos planos de contingência, decisão que compete às administrações das ULS.
Questionada sobre os constrangimentos na Linha SNS24, disse não poder garantir que estejam totalmente resolvidos, referindo que, na semana anterior, cerca de 70% das chamadas foram atendidas dentro do tempo contratualizado, reconhecendo, ainda assim, os esforços em curso para reforçar a capacidade de resposta.
LUSA/SO
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