Hospitais privados investem 312 milhões e aumentam atividade em 2025
Em 2025, os hospitais privados realizaram cerca de 10,8 milhões de consultas de especialidade, quase 1,5 milhões de episódios de urgência e aproximadamente 284 mil cirurgias.

Os hospitais privados em Portugal investiram um valor recorde de 312 milhões de euros em 2025, num ano marcado por um crescimento global da atividade de cerca de 2%, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Hospitalização Privada. De acordo com o presidente da associação, Óscar Gaspar, o setor voltou a registar uma evolução positiva em vários indicadores. Ao longo do ano, os hospitais privados realizaram cerca de 10,8 milhões de consultas de especialidade, quase 1,5 milhões de episódios de urgência e aproximadamente 284 mil cirurgias. Em média diária, estes números traduzem-se em cerca de 29 mil consultas, 4.000 atendimentos de urgência e 800 cirurgias.
Apesar do volume global de cirurgias, a atividade realizada ao abrigo do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), em articulação com o Serviço Nacional de Saúde, voltou a diminuir. Em 2025, foram feitas 15.355 cirurgias neste regime, menos 2,3% do que no ano anterior, representando apenas 5,4% do total — o valor mais baixo de sempre, excluindo o período da pandemia. Óscar Gaspar sublinhou que estes dados mostram que “nunca o SNS recorreu tão pouco aos privados” para ajudar a reduzir listas de espera cirúrgicas, apesar do seu aumento.
Na área dos meios complementares de diagnóstico, verificou-se um crescimento significativo, com mais de 1,9 milhões de ecografias, 806 mil TAC e 605 mil ressonâncias magnéticas, o que representa subidas entre 8% e 9%. Ainda assim, o responsável apontou uma redução da colaboração entre os setores público e privado em algumas áreas, como ecografias, TAC, endoscopias e colonoscopias. Em causa está a falta de atualização dos valores pagos no regime convencionado, incluindo acordos com o SNS e a ADSE, o que levou vários prestadores privados a abandonar essas convenções.
Também as tabelas do SIGIC, sem revisão desde 2017, terão contribuído para dificuldades na continuidade de alguns serviços, situação que levou o Ministério da Saúde a atualizar parcialmente os valores no final de fevereiro.
No que diz respeito à atividade obstétrica, os hospitais privados registaram um crescimento relevante, com 16.317 partos em 2025, mais 8% do que no ano anterior. Este aumento reflete, segundo Óscar Gaspar, a maior adesão da população a seguros de saúde. Por outro lado, as urgências registaram uma quebra de 5,5%, totalizando cerca de 1,46 milhões de episódios. Entre as razões apontadas estão um inverno mais ameno, com menos infeções respiratórias, e uma possível mudança no comportamento dos utentes, que estarão a recorrer mais a linhas de aconselhamento telefónico ou a utilizar as urgências de forma mais criteriosa.
O investimento recorde de 312 milhões de euros foi canalizado para a abertura de novas unidades, expansão de clínicas e reforço tecnológico. Atualmente, Portugal conta com cerca de 130 hospitais privados, número estável na última década e superior ao total de unidades do setor público, segundo a associação.
SO/LUSA
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