Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

Hipertensão no idoso

Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

A hipertensão arterial afecta a maioria dos doentes com mais de 65 anos. No idoso há dois tipos de hipertensão: A HTA sisto-diastólica e a hipertensão sistólica isolada (HSI), sendo esta última a forma mais frequente de HTA no idoso. A HSI é definida por uma sistólica igual ou superior a 140 mm Hg e uma diastólica igual ou inferior a 90 mm Hg.

No idoso devemos ter vários cuidados especiais de que destacamos três:

  • Primeiro, a HTA da bata branca é mais comum no idoso que nos indivíduos mais jovens, pelo que, quando possível, se deve recorrer a medições obtidas fora do ambiente clínico (auto medição em casa ou medição automática ambulatória).
  • Segundo, o idoso pode ter valores tensionais falsamente elevados (pseudohipertensão), devido a uma maior rigidez arterial que torna difícil a oclusão da artéria braquial pela braçadeira, que podemos ultrapassar com recurso à manobra de Osler.
  • O terceiro problema é o maior risco de hipotensão postural, pelo que a TA deve ser sempre medida na posição sentada e na posição de pé.

O risco CV (EM, AVC, IC, IR e demência) nos hipertensos idosos é substancialmente mais elevado que nos adultos mais jovens.

O tratamento deve começar pelas mudanças do estilo de vida. Em particular, a restrição de sal é muito útil porque o efeito tensional do excesso de sal aumenta com a idade, e em contrapartida a restrição de sal é mais eficaz no idoso.

A terapêutica farmacológica deve começar com doses mais baixas e ser aumentada mais lentamente. Na maior parte dos doentes é necessário utilizar uma terapêutica combinada para se obter um controlo ótimo.

Nos idosos com menos de 80 anos, os alvos terapêuticos são iguais aos dos adultos de meia-idade, ou seja, <140/90 ou <130/80 mm Hg (na DM, IRC, IC e DIC).

Nos doentes com mais de 80 anos deve-se reduzir a TA para níveis de sistólica de 140 a 145 mm Hg e evitar descer a sistólica para valores abaixo de 130 e a diastólica para valores inferiores a 65 mm Hg.

A HTA está associada ao desenvolvimento de demência e D. Alzheimer. A terapêutica antihipertensora está relacionada com menor risco de demência, observada em estudos, em que se utilizaram, quer IECAS que atravessam a barreira hematoencefálica, quer bloqueadores dos canais do calcio dihidropiridinicos. Os hipertensos mesmo os muito idosos devem ser tratados para prevenir a doença vascular, incluindo o AVC.

A incidência de demência deve constituir o principal resultado primário de futuros ensaios, comparando diferentes classes de fármacos, para melhor determinar os eventuais mecanismos da prevenção da demência.

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