16 Nov, 2022

Há reformas importantes a fazer no tratamento da DPOC, dizem peritos

Um estudo identificou os principais constrangimentos no percurso do doente com DPOC nos cuidados de saúde e as reformas necessárias para melhorar o acesso, diagnóstico, referenciação e tratamento.

Peritos inquiridos num estudo sobre a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) consideram que ainda existem “reformas importantes” a fazer para melhorar o acesso, diagnóstico, referenciação e tratamento destes doentes, entre as quais melhorar o acesso à espirometria.

Divulgado na véspera do Dia Mundial da DPOC, o estudo de consenso entre peritos da Escola Nacional de Saúde Pública visou identificar os principais constrangimentos no percurso do doente com DPOC nos cuidados de saúde e as principais barreiras à identificação e gestão do risco de exacerbações no acompanhamento do doente nos cuidados de saúde.

Apesar de considerarem que existe “uma rede de cuidados de saúde sólida de acompanhamento das pessoas com DPOC”, os peritos (médicos, enfermeiros, gestores de saúde, decisores políticos, especialistas em saúde pública e em promoção da saúde e associações de doentes) defendem um investimento na saúde respiratória, que passa pela aposta na formação e na literacia dos profissionais de saúde e na autocapacitação do doente.

Para o coordenador da Comissão de Fisiopatologia Respiratória e DPOC da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Nuno Cortesão, é preciso “um esforço muito grande de literacia”, que inclui a formação dos doentes, familiares, enfermeiros, técnicos de cardiopneumologia, médicos, pneumologistas, bem como estratégias para prevenir atempadamente as exacerbações da doença.

“Se o doente vai a um serviço de urgência e não sabe que tem DPOC ou não declara que tem DPOC quando lhe é perguntado, dificilmente” o médico reconhece a doença, sobretudo se acontece num hospital onde o paciente não é acompanhado, porque são doentes que têm mais falta de ar, tosse, expetoração, sintomas que podem aparecer noutras doenças.

Mas, vincou, esse reconhecimento é “muito importante” porque cada vez que há uma exacerbação “o risco de mortalidade aumenta”.

“Se nós não investimos na literacia de ambas as partes, quer do doente, quer de quem recebe os doentes, nós vamos continuar com este problema”, insistiu Nuno Cortesão, sublinhando que é um “esforço grande, mas há de ser compensador”.

O especialista alertou também para a necessidade de os doentes realizarem a espirometria (exame que avalia a função respiratória) “em tempo útil”: “É um problema que não está resolvido, mas que é incontornável na melhoria do diagnóstico da doença”.

“Há um esforço nacional para dotar os centros de saúde com espirómetros para dar resposta mais célere a este tipo de necessidades, mas nós precisamos de contar com a totalidade da capacidade instalada no país”, porque, disse, “há de facto muito atraso” na sua realização e é fundamental para ter o diagnóstico.

Para isso, deve envolver-se todos os agentes públicos e privados que possam prestar “um serviço de espirometria de qualidade reconhecido, validado, feito por pessoas tecnicamente competentes e interpretado por médicos” que o saibam fazer.

Para os peritos, também é “extremamente importante” a melhoria da articulação entre os cuidados de saúde primários, os serviços hospitalares, os cuidados domiciliários ou de ambulatório, mais concretamente numa “eficiente integração destes cuidados e a consequente descentralização das competências hospitalares”.

Os peritos também concluíram que houve uma melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde como resultado dos ensinamentos na pandemia.

Atualmente, quase todos os doentes têm um oxímetro em casa, facto que pode ser relevante na monitorização à distância. Por outro lado, todos os intervenientes na prestação de cuidados de saúde passaram a compreender bem o potencial da teleconsulta, que pode funcionar como ótimo instrumento para melhorar a acessibilidade a cuidados médicos.

A DPOC é a causa mais comum de mortalidade entre as doenças respiratórias depois da pneumonia e estima-se que tenha uma prevalência de 14,2% em pessoas com mais de 40 anos, com uma elevada proporção de subdiagnóstico.

LUSA

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