Gilead reforça aposta nas doenças hepáticas com foco no diagnóstico precoce e na abordagem multidisciplinar
A Gilead Sciences marcou presença no Congresso Português de Hepatologia 2026 com dois simpósios dedicados às hepatites víricas e à colangite biliar primária. A farmacêutica destacou a urgência do diagnóstico precoce, do tratamento atempado e do trabalho multidisciplinar.

A Gilead Sciences reforçou o seu compromisso com as doenças hepáticas ao marcar presença no Congresso Português de Hepatologia 2026, promovido pela Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), em Lisboa. No âmbito da sua participação, a companhia organizou dois simpósios científicos centrados em áreas críticas da hepatologia: as hepatites víricas, com especial destaque para a hepatite C e hepatite Delta, e a Colangite Biliar Primária (CBP).
Sob o lema “Conte connosco. Estamos e estaremos, juntos, no combate às doenças hepáticas”, a Gilead voltou a sublinhar a importância de uma abordagem integrada, assente no diagnóstico e tratamento precoces, em particular nos doentes com hepatite Delta, uma doença rara que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou recentemente como carcinogénica.
Foi igualmente destacada a necessidade de reforçar estratégias de rastreio e deteção precoce na hepatite C, bem como os desafios associados à abordagem da CBP.
Novas perspetivas na CBP
O simpósio “Colangite Biliar Primária: Novas Perspetivas” contou com a moderação de Guilherme Macedo, do Hospital Universitário de São João, e com a participação de Luís Maia, do Hospital de Santo António, João Madaleno, do Hospital Universitário de Coimbra, e Beatriz Mateos, do Hospital Universitário Ramón y Cajal, em Madrid.
Durante a sessão, foram abordados temas como o impacto da CBP, os objetivos terapêuticos — nomeadamente o controlo da progressão da doença e da sintomatologia — e a relevância de uma abordagem individualizada para cada doente.
O simpósio incluiu ainda a apresentação de dados de ensaios clínicos de uma nova opção de tratamento de segunda linha, bem como dados de prática clínica, através da partilha da experiência de um hospital espanhol.
Segundo Guilherme Macedo, é hoje fundamental sensibilizar os clínicos para a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as doenças hepáticas imunomediadas, em que a CBP surge como “um exemplo paradigmático”, sobretudo numa fase em que se observa um aumento progressivo da doença hepática autoimune.
Acelerar o combate às hepatites C e Delta
No simpósio “A trabalhar em conjunto no combate à hepatite C e à hepatite Delta”, foi reforçada a necessidade de acelerar os esforços para cumprir o objetivo da OMS de eliminar as hepatites víricas como ameaça de saúde pública até 2030.
De acordo com Filipe Calinas, apesar dos avanços alcançados, “não estamos a avançar ao ritmo necessário”, persistindo lacunas importantes ao nível do diagnóstico e da ligação dos doentes aos cuidados de saúde. O especialista defendeu a implementação de novas estratégias que permitam identificar precocemente os doentes e assegurar o seu acompanhamento.
As apresentações de Mariana Cardoso e Maria Buti destacaram ainda o impacto significativo da infeção pelo vírus da hepatite Delta (VHD) no aumento do risco de carcinoma hepatocelular e outros eventos hepáticos graves.
Em Portugal, foi salientado que mais de 53% dos doentes com VHD são migrantes provenientes de países com elevada prevalência e que cerca de um terço é diagnosticado já em fase de cirrose. Neste contexto, foi reforçada a importância do diagnóstico precoce e do início atempado do tratamento.
As recomendações atuais incluem o rastreio sistemático em doentes com hepatite B, bem como a repetição da quantificação da viremia para excluir infeção ativa. Estratégias custo-efetivas, como o duplo teste reflexo, foram apontadas como fundamentais para melhorar a identificação de doentes.
Segundo os especialistas, o tratamento precoce permite reduzir a progressão da doença, o risco de descompensação hepática e a ocorrência de eventos clínicos, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.
COMUNICADO
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