Genéricos geraram poupança de mais de 666 milhões de euros em 2025
O montante poupado com genéricos, em 2025, equivale à despesa com medicamentos de várias unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Essas verbas permitiriam, por exemplo, financiar integralmente projetos como o novo Hospital de Lisboa Oriental e o Hospital do Oeste.

Os medicamentos genéricos estão a gerar, em média, uma poupança de 1.267 euros por minuto, totalizando mais de 666 milhões de euros em 2025 para as famílias e para o Estado, segundo dados hoje divulgados pela Associação Nacional das Farmácias (ANF) e pela Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde (Equalmed). De acordo com as associações, só este ano os genéricos já permitiram poupar mais de 164 milhões de euros. Em comunicado, sublinham que “a cada segundo” a dispensa destes medicamentos nas farmácias comunitárias representa uma libertação de 21,13 euros, o equivalente a 76 mil euros por hora e mais de 1,8 milhões de euros por dia.
Apesar do valor expressivo, os dados apontam para uma ligeira quebra face a 2024, com menos 4,1 milhões de euros em poupanças. Ainda assim, desde 2011, os medicamentos genéricos já permitiram libertar mais de 7,2 mil milhões de euros, refletindo uma trajetória de crescimento que agora aparenta estabilizar.
Segundo as associações, o montante poupado em 2025 equivale à despesa com medicamentos de várias unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou permitiria financiar integralmente projetos como o novo Hospital de Lisboa Oriental e o Hospital do Oeste.
O presidente da Equalmed, João Paulo Nascimento, destaca que, num contexto geopolítico exigente e com cadeias de abastecimento pressionadas, os genéricos assumem um papel estratégico na resiliência do sistema de saúde. “São indispensáveis para garantir o acesso a medicamentos essenciais e promover a equidade em saúde, sobretudo num cenário de aumento contínuo da despesa”, afirmou.
O responsável sublinha ainda que estes medicamentos, mais custo-efetivos, contribuem para reduzir desigualdades, aumentar a adesão às terapêuticas e responder ao envelhecimento da população, marcado por uma maior prevalência de doenças crónicas.
Também ao nível do abastecimento, os genéricos ajudam a mitigar ruturas e a reforçar a segurança no fornecimento de medicamentos essenciais, promovendo simultaneamente maior concorrência no mercado farmacêutico.
Por seu turno, a presidente da ANF, Ema Paulino, considera que os resultados de 2025 confirmam o “contributo decisivo” destes medicamentos para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o acesso dos cidadãos às terapêuticas. A responsável defende, no entanto, a revisão do modelo de incentivos à dispensa de genéricos nas farmácias comunitárias, em linha com as orientações do Orçamento do Estado para 2026, como forma de reforçar a sua utilização e continuar a gerar poupanças.
Os dados, recolhidos pela Cientis e pelo contador online da Equalmed, indicam ainda que, em 2025, foram dispensadas mais de 118 milhões de embalagens de medicamentos genéricos nas farmácias, um aumento de 3,05% face ao ano anterior, segundo a Health Market Research.
SO/LUSA
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