17 Out, 2025

Federação dos Médicos convoca greve nacional para 24 de outubro

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) convocou uma greve nacional para 24 de outubro, coincidente com a paralisação da Função Pública, em protesto contra a “recusa da Tutela em negociar verdadeiramente a carreira médica”.

Federação dos Médicos convoca greve nacional para 24 de outubro

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) anunciou uma greve nacional para o dia 24 de outubro, em simultâneo com a paralisação da Função Pública, acusando o Ministério da Saúde de se recusar a negociar as condições da carreira médica.

“Está a haver uma recusa da ministra da Saúde em negociar verdadeiramente a carreira médica e, acima de tudo, foram apresentadas decisões que põem em risco a população”, afirmou à Lusa a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá.

A federação reuniu-se hoje com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para exigir melhores condições de trabalho e remunerações adequadas, denunciando uma pressão crescente sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Contudo, a dirigente sindical considerou que “a reunião não foi de verdadeira negociação”, classificando-a como “a apresentação de um ato consumado” com medidas “prejudiciais à população e ao SNS”.

Entre as decisões contestadas está a concentração regional dos serviços de urgência, medida que, segundo Joana Bordalo e Sá, “vai deixar grávidas e recém-nascidos sem cuidados de proximidade”.

“A título de exemplo, na Margem Sul, pretende-se encerrar as urgências de obstetrícia do Barreiro e de Setúbal, concentrando tudo em Almada. Estamos a falar de uma área que tem quase um milhão de pessoas”, alertou.

A sindicalista frisou que “uma urgência regional não é uma urgência metropolitana”, sublinhando que, fora das grandes cidades, “os hospitais distam muitos quilómetros uns dos outros”.

Criticou ainda a ausência de uma ordem de trabalhos e de propostas legislativas prévias, o que considera “uma violação das boas práticas da negociação coletiva”.

Apesar disso, garantiu que a federação apresentou propostas concretas para reforçar o SNS e atrair médicos, lamentando que “o caminho do Ministério da Saúde não esteja a ser esse”.

A greve dos médicos vai decorrer em simultâneo com a greve nacional da Administração Pública, que reivindica aumentos salariais, valorização das carreiras, reposição do vínculo público e reforço dos serviços públicos.

LUSA/SO

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