17 Fev, 2020

Eutanásia. Há doentes que esperam 6 meses por cuidados paliativos

Em dois distritos não há sequer uma cama para internamento em cuidados paliativos. Número de equipas domiciliárias está também muito aquém do desejável.

Eutanásia. Há doentes que esperam 6 meses por cuidados paliativos

A orbitar em volta do debate sobre a eutanásia, os cuidados paliativos voltam a ganhar lugar de destaque como um dos argumentos preferenciais dos críticos da despenalização da morte assistida. No entanto, os cuidados médicos nesta área são ainda insuficientes e os tempos de espera excessivos.

Na zona do Grande Porto, no Hospital de São João por exemplo, há doentes referenciados para receberem cuidados paliativos que chegam a esperar seis meses pela primeira consulta, segundo avança a presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, Edna Gonçalves, em declarações ao jornal Público.

Mas pior do que uma espera demorada, é existirem zonas do país que não têm ainda nenhuma cama alocada a doentes que precisam de cuidados paliativos. É o caso dos distritos de Leiria e de Viana do Castelo, que juntos têm mais de 700 mil habitantes.

A situação é ainda mais grave porque há oito anos que a lei prevê o direito de acesso a cuidados paliativos a todos os doentes portadores de doença grave ou incurável. No entanto, no caso de Viana do Castelo, a Unidade de Saúde Local do Alto Minho dispõe de uma equipa que vai a casa dos doentes.

Em todo o país, há 381 camas exclusivamente dedicadas a este tipo de cuidados, sendo que 231 estão em hospitais e as restantes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Segundo Edna Gonçalves, era necessário, pelo menos, duplicar o número de camas. A média portuguesa é de 40 a 50 por cada 100 mil habitantes mas a Associação Europeia de Cuidados Paliativos recomenda 80 a 100 camas pelos mesmos 100 mil habitantes.

Embora a aposta do SNS seja a de manter os doentes em casa, apoiados por equipas domiciliárias, neste momento, nem metade de todos os agrupamentos de centros de saúde (ACES) tem esta valência. O ideal era haver pelo menos uma equipa em cada um dos 54 ACES mas só 26 a disponibilizam à população.

TC/SO

 

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