“Estamos comprometidos com a promoção da Medicina da Dor, da Medicina Paliativa e da Geriatria”
Na abertura do Congresso Multidisciplinar da Dor 2025, em Espinho, Hugo Ribeiro apelou à valorização da Medicina da Dor, Cuidados Paliativos e Geriatria, sublinhando a importância de formação, especialização e colaboração entre profissionais para melhorar a qualidade de vida dos doentes.

A cerimónia foi conduzida por Daniel Canelas, médico de família e membro da IM3M, que destacou a dimensão internacional do encontro, reunindo quase 500 profissionais de saúde de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola e Moçambique, com o objetivo de “melhorar a gestão terapêutica da dor, promover a investigação e atualizar práticas clínicas”.

Hugo Ribeiro, representante da organização deste congresso e professor auxiliar convidado das Faculdades de Medicina do Porto e de Coimbra e médico paliativista na ULS Gaia-Espinho, afirmou: “Estamos comprometidos com uma causa nobre e essencial à humanidade: a promoção da Medicina da Dor, da Medicina Paliativa e da Geriatria. Este trabalho só faz sentido porque faz a diferença na vida dos doentes, das famílias e dos profissionais.” No fecho do seu discurso, deixou uma nota de inquietação, mas também de esperança: “Preocupa-me que continuemos a ter uma visão de Cuidados Paliativos própria dos anos 60, que não tenhamos todos formação básica nesta área e que não promovamos a especialização da Medicina Paliativa como acontece em outras áreas. Mas, acredito todos os dias, em todos vós. Obrigado pelo vosso empenho, dedicação e contributo para o progresso da Medicina, especialmente da Medicina da Dor.”
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Também Marília Dourado, presidente da Comissão Científica deste congresso e coordenadora da Pós-Graduação em Medicina da Dor e do Mestrado em Cuidados Continuados e Paliativos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e diretora do Centro de Estudos dos Cuidados Paliativos, sublinhou a importância da criação de redes de colaboração entre profissionais, dizendo: “Queremos que este congresso seja um espaço de partilha, debate e construção de pontos que perdurem no futuro.”
E passou ao momento central, a homenagem a José António Ferraz Gonçalves, pioneiro dos Cuidados Paliativos em Portugal, que recordou a fundação da Unidade de Cuidados Continuados do IPO do Porto há 31 anos e a criação da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos. “Os Cuidados Paliativos são a minha vida profissional desde 1994”, afirmou, agradecendo o reconhecimento.

Na mesma sessão, Ana Correia de Oliveira, vogal da Direção-Executiva do Serviço Nacional de Saúde e especialista em Medicina Geral e Familiar, reforçou a necessidade de uma resposta integrada à dor, sublinhando que o SNS tem procurado dar resposta “com a criação e consolidação das unidades de dor em vários hospitais, a integração progressiva da abordagem nos cuidados de saúde primários e a aposta em programas de formação para profissionais de saúde, além da promoção de investigação aplicada”. Esses esforços, acrescentou, têm permitido “melhorar o acesso, a qualidade e a continuidade dos cuidados, reforçando a resposta do sistema de saúde às necessidades das pessoas com dor”.
O encerramento da sessão coube ao Grupo de Fados de Coimbra, que trouxe um momento cultural de celebração e proximidade.
Sílvia Malheiro
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