27 Mar, 2026

Especialistas pedem criação urgente de registo nacional do AVC para melhorar acompanhamento dos doentes

A criação deste registo nacional de AVC é vista como um passo decisivo para melhorar os resultados em saúde, reforçar a articulação entre serviços e garantir que nenhum doente fica sem apoio durante o processo de reabilitação.

Especialistas pedem criação urgente de registo nacional do AVC para melhorar acompanhamento dos doentes

A Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) defendeu hoje a criação urgente de um Registo Nacional do Acidente Vascular Cerebral (AVC), considerando esta medida essencial para garantir o acompanhamento contínuo dos doentes ao longo do processo de recuperação. Em comunicado divulgado no âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala na próxima terça-feira, a sociedade médica sublinha que esta ferramenta permitiria recolher dados epidemiológicos, avaliar a evolução funcional dos doentes e acompanhar o seu percurso após a alta hospitalar.

O objetivo é assegurar que os sobreviventes de AVC mantêm acesso atempado aos cuidados de reabilitação necessários, uma fase considerada determinante para a recuperação funcional e para o regresso a uma vida ativa com qualidade.

Segundo o presidente da SPMFR, Renato Nunes, a ausência de uma monitorização estruturada dificulta atualmente a continuidade dos cuidados ao longo do tempo. “Um registo nacional do AVC permitiria monitorizar de forma integrada a jornada do doente, identificar lacunas no sistema e contribuir para uma resposta mais eficiente, multidisciplinar e centrada na reabilitação”, afirmou.

Os especialistas recordam que, em Portugal, ocorrem cerca de três AVC por hora e que aproximadamente metade dos sobreviventes fica com sequelas, muitas vezes incapacitantes. Apesar de a reabilitação ser um direito consagrado em documentos da Organização Mundial da Saúde, a SPMFR alerta que ainda existem falhas no acompanhamento dos doentes após a fase aguda.

A criação deste registo nacional é, assim, vista como um passo decisivo para melhorar os resultados em saúde, reforçar a articulação entre serviços e garantir que nenhum doente fica sem apoio durante o processo de reabilitação.

SO/LUSA

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