1 Ago, 2022

Entrevista. Mais de 80% dos cancros do pulmão são detetados já em estado avançado

Em Portugal diagnosticam-se "cerca de 5000 casos/ano, sendo que mais de 80% estão em estadios não cirúrgicos", explica o Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, sublinhando a importância do diagnóstico precoce.

Quais são os principais sintomas de cancro do pulmão a que as pessoas devem estar atentas?

Qualquer sintoma respiratório num doente de risco, mais concretamente num fumador deve ser considerado suspeito. A tosse, as hemoptises, a falta de ar ou a dor torácica podem ser sintomas de apresentação do cancro do pulmão.

Qual a incidência deste tipo de cancro em Portugal e que percentagem de cancros do pulmão continuam a ser diagnosticados numa fase avançada?

Em Portugal diagnosticam-se cerca de 5000 casos/ano, sendo que mais de 80% estão em estadios não cirúrgicos.

Nestes casos, qual o prognóstico para estes doentes?

O prognóstico é mais desfavorável consoante o estadio é mais avançado, nomeadamente quando não pode ser removido cirurgicamente. O facto de o doente apresentar uma doença avançada, nomeadamente com metastização associa-se a uma sobrevida média significativamente menor comparativamente com os outros estadios.

Neste sentido, quão importante é o diagnóstico precoce do cancro do pulmão?

É importante porque o doente pode ser diagnosticado numa fase em que a resseção cirúrgica é possível. Por outro lado, mesmo que tal não seja possível por uma localização do tumor que não permita a sua recessão, numa fase precoce o doente apresenta-se habitualmente com bom estado geral, situação essencial para poder ser submetido a todas as modalidades terapêuticas disponíveis.

Que grupos populacionais devem fazer o rastreio de forma regular?

Os fumadores são o grupo de risco, dado o tabaco ser responsável por cerca de 90% dos cancros diagnosticados.

Sabe-se que uma parte dos cancros do pulmão não são provocados pelo tabagismo. Que outras causas podem promover o desenvolvimento desta doença?

Existem causas genéticas e causas ambientais, algumas conhecidas como a exposição a asbestos ou radão. Embora sem conseguirmos precisar o seu impacto, a poluição tem um contributo considerado importante na ocorrência da doença.

SO

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