4 Set, 2019

Emigração de médicos triplica no início de 2019

Procura por certificados que permitem exercer no estrangeiro voltou a disparar entre janeiro e junho, à semelhança do que já tinha acontecido na segunda metade de 2018.

Voltaram a disparar em 2019 os pedidos de certificados emitidos pela Ordem dos Médicos (OM), que permitem que estes profissionais possam exercer Medicina no estrangeiro. Só entre janeiro e junho deste ano foram passados 386 certificados, quase o triplo em relação ao mesmo período de 2018, escreve o Diário de Notícias.

Segundo dados avançados pelas secções do Norte, Centro e Sul (que inclui também as ilhas) da OM, nos primeiros seis meses de 2018 tinham sido emitidos 130 certificados em todo o país. Contudo, de julho a dezembro, a procura disparou e o ano terminou com 555 autorizações emitidas:  no norte foram assinados 269 pedidos, no centro 31 e no sul 256.

A manter-se o ritmo do primeiro semestre, 2019 poderá registar um novo recorde. A procura por este tipo de certificados tem vindo a aumentar desde 2014. Nesse ano, 366 médicos foram autorizados a exercer no estrangeiro. Em 2015, foram 475. Nos dois anos seguintes houve uma redução acentuada (198 em 2016 e 172 em 2017). No entanto, esta tendência de queda foi bruscamente interrompida em 2018, com 555 emissões.

Perante estes números, o presidente da secção do Centro da OM aponta baterias ao Ministério da Saúde. “Refletem o desânimo e a desmotivação dos jovens médicos que nem sequer colocam a hipótese de fazer a sua formação pós-graduada no SNS ou trabalhar em Portugal”, alerta Carlos Cortes.

Olhando mais em pormenor os dados, percebe-se que a maioria dos certificados são pedidos por médicos que têm entre 25 e 34 anos. No entanto, estão a aumentar os certificados requeridos por profissionais com mais de 50 anos, o que denota uma desmotivação mesmo entre os médicos com salários mais elevados e que já gozem de alguma estabilidade profissional.

Apesar de a maioria dos pedidos ainda estar concentrada nos chamados médicos indiferenciados, isto é, sem especialidade, há cada vez mais certificados passados a especialistas como anestesistas, obstetras ou internistas.

A saída de médicos, atraídos pelas melhores condições de trabalho noutros países, refletem um mercado de trabalho cada vez mais aberto, refere o presidente da secção do sul da OM. “A grande questão é que os médicos que estão a sair tiveram uma formação excelente e os que estão a entrar, vindos do leste da Europa, do Brasil ou de outros países, não têm as mesmas qualidades”, alerta Alexandre Valentim Lourenço.

O Reino Unido permanece como o destino preferido dos médicos portugueses, com a Alemanha a surgir na segunda posição. No entanto, nos últimos anos, tem-se registado uma diversificação. Destinos como o Médio Oriente (Dubai, Emirados Árabes ou Arábia Saudita), Angola, EUA ou Austrália têm conseguido cativar muitos clínicos.

TC/SO

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