30 Nov, 2021

É preciso ter calma em relação à nova variante Ómicron, apela investigador do INSA

"Não existem, até à data, dados epidemiológicos e laboratoriais que permitam concluir acerca da sua maior transmissibilidade ou da sua potencial associação a uma menor eficácia das vacinas”, defende João Paulo Gomes.

O investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) João Paulo Gomes apela à calma em relação à nova variante Ómicron do coronavírus e defende que a população não deve “entrar em pânico” com o aparecimento da B.1.1.529. O especialista confirma que são precisos dados mais consistentes para se tirar uma “conclusão mais séria” sobre o seu impacto.

“A comunidade científica tem gerado resultados muito importantes a nível de influenciar a decisão em termos de saúde pública e decisão dos vários governos e isso tem corrido naturalmente bem e acho que é assim que deve ser”, afirmou o microbiologista, em declarações à agência Lusa, a propósito do aparecimento de 13 casos em Portugal desta nova variante do SARS-CoV-2.

João Paulo Gomes acredita que dentro de duas/três semanas os grandes laboratórios farmacêuticos e instituições que estão envolvidos nos ensaios de neutralização de anticorpos publiquem dados que “sejam consistentes o suficiente” para que se possa “tirar uma conclusão mais séria acerca desta nova variante”. Para o coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal, perante as declarações da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que definem esta variante como de “alto risco” -, devia ter havido “um pouco mais de prudência” , uma vez que ainda não há dados que digam que a Ómicron é uma variante mais severa.

Ainda assim, o especialista afirmou que há “motivos para preocupação”, na medida em que esta variante é caracterizada por “um anormalmente elevado número de mutações na proteína de superfície [Spike]”. “Muitas dessas mutações, a comunidade científica já sabe que podem impactar a transmissibilidade, bem como a ligação aos nossos anticorpos e, portanto, temos direito de pensar: será que as vacinas estão em perigo? Será que ela é mais transmissível. A resposta é não sabemos”, vincou.

O investigador sublinha que é tudo muito recente: “Estamos a falar de casos com duas, três semanas em todo o mundo, portanto, ela terá ainda uma circulação muitíssimo residual”. “Caso contrário não teríamos este número muito residual de casos detetados em todo o mundo”, declarou. A suspeita de maior transmissibilidade da Ómicron prende-se apenas com o facto de estar “a crescer bastante em frequência numa região particular da África do Sul”, uma região com uma grande densidade populacional.

Portanto, sustentou, “podem existir aqui fatores muito específicos que façam com que nos levem a suspeitar da sua maior transmissibilidade, mas não passam de suspeitas, não existem e repito, até à data, dados, não só epidemiológicos como laboratoriais, que permitam concluir acerca da sua maior transmissibilidade ou da sua potencial associação a uma menor eficácia das vacinas”.

LUSA

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