Doentes estão a chegar aos hospitais com diabetes muito descompensada

Durante o período de quarentena obrigatória, estima-se que entre 10 a 20 mil pessoas não conseguiram ter acesso a um diagnóstico e intervenção precoces.

O presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) advertiu que estão a chegar às urgências dos hospitais pessoas com um ligeiro cansaço e uma diabetes “extremamente descompensada“, que normalmente corresponde a um diagnóstico de covid-19.

“Estas pessoas deveriam ter ido ao centro de saúde, deveriam ter sido logo encaminhadas no tratamento da diabetes, e provavelmente não teriam necessidade de internamento. Poderiam ter ficado em casa com uma supervisão online ou telefónico por parte do médico”, adiantou à agência Lusa José Manuel Boavida, sublinhando que nestes casos “os médicos e enfermeiros são absolutamente necessários e imprescindíveis”.

Durante o período de quarentena obrigatória, estima-se que entre 10 a 20 mil pessoas não conseguiram ter acesso a um diagnóstico e intervenção precoces, que é aquilo que mais permite evitar complicações e internamentos.

“Muita gente ficou por diagnosticar, o que quer dizer que serão diagnosticados mais tarde, e provavelmente com sequelas maiores, com uma reversibilidade da compensação mais difícil, e provavelmente com uma evolução das complicações”, disse o especialista, na semana em que se assinala o Dia Mundial da Diabetes (14 de novembro).

José Manuel Boavida disse que estavam a diagnosticar, em média, 200 pessoas por dia, cerca de 60 mil pessoas por ano, e que “um arrastamento desta situação pode levar a uma complicação muito gr