Diretora-Geral da Saúde alerta para riscos da desinformação no Dia Mundial da Saúde
A diretora-geral da Saúde destacou que o futuro da saúde deve ser “liderado pela ciência”, e não pela desinformação, lembrando que a saúde “não avança por opinião, mas por evidência”.

A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, alertou para os perigos da crescente falta de confiança no setor da saúde e para o impacto da desinformação, sublinhando que esta “circula mais rápido do que a evidência científica”. As declarações foram feitas durante uma cerimónia que assinalou o Dia Mundial da Saúde, este ano subordinado ao tema “Juntos pela Saúde. Ao lado da Ciência”, realizada na Fundação Champalimaud, em Lisboa. “Nunca foi tão visível a fragilidade na confiança na Saúde”, afirmou Rita Sá Machado, lamentando que, em várias situações, a perceção pública se sobreponha aos factos científicos.
A responsável destacou que o futuro da saúde deve ser “liderado pela ciência”, lembrando que esta “não avança por opinião, mas por evidência”. Como exemplo, referiu o impacto das vacinas, que ao longo das décadas salvaram milhões de vidas em todo o mundo.
Em Portugal, acrescentou, o Programa Nacional de Vacinação tem vindo a evoluir, com a expansão e atualização de vacinas nos últimos dois anos, demonstrando que “a ciência não é estática e as políticas de saúde também não”.
Rita Sá Machado apontou ainda outros avanços sustentados pela ciência, como a comprovação da ligação entre o consumo de tabaco e o cancro do pulmão, bem como os progressos na saúde reprodutiva e infantil. Referiu também que, este ano, tanto o programa de saúde infantil como o programa nacional de saúde reprodutiva foram atualizados com base em evidência científica.
Perante este cenário, a diretora-geral da Saúde defendeu que o combate à desinformação se tornou central e apelou à reconstrução da confiança na ciência e na saúde pública. “Se queremos um futuro saudável, temos de estar verdadeiramente ao lado da ciência, não apenas em discurso, mas em políticas, decisões e ações do dia-a-dia”, concluiu.
Na abertura da sessão, a presidente da fundação, Leonor Beleza, também abordou o tema, lamentando que cientistas e médicos sejam frequentemente formados em contextos separados. Segundo afirmou, essa distância dificulta o avanço, o progresso e a inovação na área da saúde.
SO/LUSA
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