1 Fev, 2022

Dinamarca elimina hoje todas as restrições de combate à pandemia

Primeira-ministra da Dinamarca destaca a transição para uma nova fase, em que os dinamarqueses vão poder retomar a vida que tinham antes da pandemia.

A Dinamarca elimina a partir desta terça-feira todas as restrições impostas na quarta vaga da pandemia, apesar do número recorde de contágios, devido ao menor risco da variante Ómicron e ao elevado número de imunizados, anunciou o Governo.

A covid-19 vai deixar de ser considerada uma doença “crítica” para a sociedade, o que vai implicar a extinção das medidas atuais: deixarão de ser usadas máscaras em espaços fechados e desaparecerão as restrições nos restaurantes, na vida cultural e social, e as discotecas reabrirão.

“Estamos prontos para sair da sombra do coronavírus, despedimo-nos das restrições e saudamos a vida que tínhamos antes. A pandemia continua, mas já passamos da fase crítica”, disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em conferência de imprensa.

Mette Frederiksen falou de um “marco” e de uma “transição” para uma nova fase, sublinhando que a decisão tem o aval da comissão científica que auxilia o Governo desde o início da pandemia da covid-19.

“Pode parecer estranho e paradoxal que eliminemos as restrições com níveis atuais de contágio, mas devemos olhar para mais números. Um dos mais importantes é dos doentes graves e essa curva foi partida”, disse.

A Dinamarca, que é um dos países que mais testa contra a covid-19 no mundo, registou 46.747 novos casos nas últimas 24 horas, nove vezes mais do que há um ano no pico da segunda vaga, mas contabiliza apenas 938 internados, menos 50 do que em 2021.

As autoridades de saúde também admitiram que, neste momento, entre 30% e 40% dos internados são pessoas que foram hospitalizadas por outros motivos e que posteriormente testaram positivo à covid-19.

O número total de pacientes em unidades de cuidados intensivos (UCI) é de 40, metade do de apenas há algumas semanas, confirmando que a Ómicron é uma variante “menos prejudicial”, de acordo com a primeira-ministra.

Frederiksen também fez referência aos elevados números de vacinação como o segundo fator decisivo: 80,6% dos dinamarqueses receberam o esquema completo e 60% a dose de reforço.

As autoridades dinamarquesas esperam que o contágio elevado continue durante mais algumas semanas, mas consideram desproporcional manter as restrições atuais.

A primeira-ministra do país escandinavo apontou três fases: na primeira, até à primavera, vão ser mantidas as recomendações de proteção dos grupos de risco, como uso de máscaras em lares de idosos, bem como a obrigatoriedade de realização de testes para os não vacinados que viajam para Dinamarca.

A segunda fase, até ao outono, será de vigilância e preparação para a terceira, no próximo inverno, em que é “muito possível” uma parte da população ou mesmo toda tenha de ser novamente vacinada, indicou Frederiksen.

A Dinamarca já havia suspendido todas as restrições em 10 de setembro de 2021, antes de reintroduzir o certificado de vacinação no início de novembro e depois introduzir novas restrições.

Por seu turno, a Suécia considerou necessário manter as restrições pelo menos mais duas semanas.

No entanto, a ministra da Saúde, Lena Hallengren, disse hoje em conferência de imprensa que “a maioria” das medidas pode ser suspensa a partir de 09 de fevereiro, “se a situação se estabilizar”.

Face a um nível de internamentos em UCI menor do que em vagas anteriores, vários países europeus, como França ou Reino Unido, anunciaram a flexibilização das medidas ou o levantamento da maioria das restrições, apesar dos casos de infeção recordes ou muito elevados.

No Reino Unido, a única restrição que será aplicada a partir de quinta-feira é o isolamento para pessoas infetadas.

SO/LUSA

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